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A Arte de Errar: Reflexões à Luz de Santo Tomás de Aquino

  • 9 de abr. de 2024
  • 2 min de leitura


Em um mundo que avança a passos largos, onde o ritmo frenético da vida moderna impõe expectativas quase inatingíveis de perfeição, surge uma pergunta que ressoa com uma urgência particular: ainda nos é permitido errar?


Esta questão, carregada de profundidade e nuance, merece uma reflexão cuidadosa, especialmente em uma era marcada por uma busca incansável por eficiência e sucesso.


A vida, com sua complexa rede de escolhas e caminhos, muitas vezes nos confronta com o temor do erro. Parece que vivemos sob o olhar constante de um juiz invisível, pronto para apontar cada deslize, cada falha em nosso percurso. No entanto, é preciso questionar: o erro deve ser visto sempre como um sinal de fraqueza ou pode, na verdade, ser um mestre disfarçado, uma fonte rica de aprendizado e crescimento?


Santo Tomás de Aquino, um dos maiores filósofos e teólogos da história, nos oferece uma perspectiva valiosa sobre essa questão. Com uma sabedoria que atravessa os séculos, Aquino nos ensina que "Sapientis est ordinare" — é da natureza do sábio ordenar.


Este princípio sugere que a verdadeira sabedoria não reside na incapacidade de errar, mas na habilidade de reconhecer, organizar e, sobretudo, aprender com nossos erros. Para Aquino, o processo de aprendizagem e a jornada em direção à sabedoria são pavimentados não apenas com sucessos, mas também com falhas e correções.


Thomas de Aquino também destaca a importância da comunidade e da partilha de experiências, incluindo os erros. "Homo, secundum quod est homo, non potest vivere sine amico" — um homem, na medida em que é homem, não pode viver sem amigos. Este pensamento sublinha que o ser humano, em sua essência, é um ser social, que se desenvolve e aprende no contato com o outro, nas trocas de experiências, e sim, nas falhas compartilhadas.


Portanto, em vez de nos perguntarmos se ainda podemos errar, talvez devamos nos perguntar como podemos acolher nossos erros de maneira produtiva. Como podemos abraçá-los com humildade e coragem, vendo-os não como falhas definitivas, mas como etapas essenciais no nosso desenvolvimento pessoal e intelectual?


No fim, reconhecer e aprender com os erros é uma demonstração de força, um testemunho da nossa humanidade e um passo crucial na nossa contínua busca pelo conhecimento.


Em última análise, a mensagem de Santo Tomás de Aquino ressoa como um lembrete poderoso de que o erro, quando abordado com sabedoria, pode se transformar em uma ferramenta valiosa para o crescimento e o aperfeiçoamento. Na nossa jornada pelo conhecimento, permitir-se errar — e, mais importante, aprender com esses erros — é uma das maiores demonstrações de coragem e humildade.


Como você tem abordado seus erros? Eles têm sido fonte de estagnação ou de aprendizado? Talvez seja o momento de olharmos para nossas falhas sob uma nova luz, reconhecendo-as como partes integrantes e indispensáveis do nosso caminho rumo à sabedoria verdadeira.

 
 
 

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