Convém que um católico fique 5 anos em silêncio numa faculdade de psicologia?
- 2 de mar. de 2024
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Atualizado: 5 de mar. de 2024

Em um mundo onde as universidades parecem campos minados para a fé, nós, católicos, encontramos um desafio peculiar ao nos aventurarmos na faculdade de psicologia. A ideia de que podemos simplesmente mergulhar em silêncio por cinco anos, absorvendo conhecimento sem compartilhar nossa essência, é, para muitos de nós, uma expectativa irreal. A verdade é que o ambiente acadêmico pode ser menos que acolhedor para aqueles que carregam sua fé católica não apenas como uma cruz ao peito, mas como uma luz em seu caminho.
Ao pisar nesse terreno, muitas vezes sentimos o peso de olhares que nos veem como estranhos, ou pior, adversários. A academia de hoje parece um terreno disputado por visões materialistas e indiferentes, com uma estranha unidade formada pela oposição comum ao cristianismo. Essa sensação de isolamento não poupa nem as instituições que se dizem católicas, sugerindo que a maré de pensamento contemporâneo pode ter inundado até mesmo as áreas mais sagradas.
Surge, então, a tentação de construir nossos próprios refúgios: academias, sociedades, até mesmo um Brasil paralelo onde poderíamos cultivar e viver nossos valores cristãos sem interferências. No entanto, é crucial lembrar que o cristianismo não floresceu criando uma contracultura isolada; ele transformou a cultura dominante de dentro para fora, armado com intelecto, amor, persuasão e, quando necessário, o sacrifício dos mártires.
Nossos predecessores não venceram pela força das armas ou pelo grito das multidões, mas pelo testemunho silencioso de suas vidas e, para alguns, pela eloquência final de sua morte. Esse é o legado que nos desafia hoje: como trazer Cristo para o coração da psicologia, um campo que parece ter se afastado de suas raízes cristãs nos últimos séculos?
A resposta, acredito, está no equilíbrio entre o silêncio e a palavra. Há momentos para cultivar um silêncio meditativo, unindo nossas orações às de Cristo por aqueles que não entendem ou até mesmo rejeitam nossa fé. E há momentos para falar, para usar nosso conhecimento e nossa compaixão para dialogar, não para confrontar; para iluminar, não para acusar.
A humildade é nossa bússola nessa jornada, nos guiando a aprender sempre mais, a amar inclusive aqueles que nos desafiam e a encontrar, mesmo nas críticas mais ácidas, grãos de verdade que podem nos ensinar algo sobre nós mesmos e sobre o mundo ao nosso redor.
E enquanto navegamos pelas correntes da psicologia moderna, buscamos não apenas sobreviver, mas reviver a rica tradição cristã que uma vez guiou essa disciplina. Quem sabe, se formos fiéis, inteligentes e santos em nossa busca, possamos não apenas influenciar a academia, mas reconectar a psicologia com suas raízes espirituais profundas.
Não sabemos os planos de Deus, nem se veremos os frutos de nosso trabalho. Mas o simples fato de que tantos entre nós sentem esse chamado, essa inquietação, é um sinal de esperança, um sussurro do Espírito Santo que nos convida a sonhar e a agir. E, quem sabe, a transformar.






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