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Oração Mental: Rejeitar pensamentos que parecem piedosos mas são falsos.

  • 14 de abr. de 2024
  • 8 min de leitura


A oração mental, conforme ensinada por Santo Afonso Maria de Ligório e outros mestres da espiritualidade católica, é um encontro pessoal e íntimo com Deus, que busca promover o amor e a união com Ele. Santo Afonso sugere uma estrutura prática para a oração mental que pode ser muito útil para quem deseja aprofundar essa prática. Essa estrutura pode ser dividida em quatro partes principais:


  1. Preparação: Consiste em colocar-se na presença de Deus, conscientizando-se de que se está diante Dele. Aqui, busca-se afastar as distrações e centrar o coração e a mente na oração que se iniciará. Pode-se fazer um breve pedido de ajuda ao Espírito Santo para orar de maneira frutífera.

  2. Leitura (Consideração): Nesta etapa, medita-se sobre um texto sagrado ou algum aspecto da fé. A leitura deve ser feita de maneira atenta, buscando entender o que Deus quer comunicar. Não se trata apenas de ler, mas de refletir, considerar o significado mais profundo e deixar que as verdades espirituais penetrem o coração.

  3. Oração: Depois de refletir sobre a leitura, passa-se à resposta que ela suscita no coração. Esta é uma fase de diálogo íntimo com Deus, onde se expressam os sentimentos e desejos que surgiram durante a meditação, como amor, gratidão, arrependimento, desejo de ajuda e melhorias, entre outros.

  4. Conclusão (Colóquio): Esta fase é um encerramento onde se agradece a Deus pela oração e pelas inspirações recebidas. Pode-se fazer propósitos de melhoria em algum aspecto da vida conforme o que foi meditado, pedindo a Deus força e graça para cumprir tais propósitos. Finaliza-se com uma oração formal, como o Pai-Nosso, ou uma oração a Maria.


Essa estrutura não é rígida e pode ser adaptada conforme a necessidade e o tempo disponível de cada um. O mais importante é que a oração mental se torne um encontro de amor e comunhão com Deus, permitindo que Ele transforme nossas vidas.


Preparação: Consiste em colocar-se na presença de Deus, conscientizando-se de que se está diante Dele. Aqui, busca-se afastar as distrações e centrar o coração e a mente na oração que se iniciará. Pode-se fazer um breve pedido de ajuda ao Espírito Santo para orar de maneira frutífera.


Meu Deus, eu creio em vós, mas fortificai a minha fé; espero em vós, mas tornai mais confiante a minha esperança; eu vos amo, mas afervorai o meu amor; arrependo-me de ter pecado, mas aumentai o meu arrependimento. Eu vos adoro como primeiro princípio, eu vos desejo como fim último; eu vos louvo como benfeitor perpétuo, eu vos invoco como benévolo defensor. Que vossa sabedoria me dirija, vossa justiça me contenha, vossa clemência me console, vosso poder me proteja. Meu Deus, eu vos ofereço meus pensamentos, para que só pense em vós; minhas palavras, para que só fale em vós; minhas ações, para que sejam do vosso agrado; meus sofrimentos, para que sejam por vosso amor. Quero o que quiserdes, porque o que quereis como o quereis, e enquanto o quereis. Senhor eu vos peço: iluminai minha inteligência, inflamai minha vontade, purificai meu coração e santificai minha alma. Dai-me chorar os pecados passados, repelir as tentações futuras, corrigir as más inclinações e praticar as virtudes do meu estado. Concedei-me ó Deus de bondade, ardente amor por vós e aversão por meus defeitos, zelo pelo próximo e desapego do mundo. Que eu me esforce para obedecer aos meus superiores, auxiliar os que dependem de mim, dedicar-me aos amigos e perdoar os inimigos. Que eu vença a sensualidade pela austeridade, a avareza pela generosidade, a cólera pela mansidão e a tibieza pelo fervor. Torne-me prudente nas decisões, corajoso nos perigos, paciente nas adversidades e humilde na prosperidade. Fazei Senhor, que eu seja atento na oração, sóbrio nos alimentos, diligente no trabalho e firme nas resoluções. Que eu procure possuir pureza de coração e modéstia de costumes, um procedimento exemplar e uma vida reta. Que eu me aplique sempre em vencer a natureza, colaborar com a graça, guardar os mandamentos e merecer a salvação. Aprenda de vós como é pequeno o que é da terra, como é grande o que é divino, breve o que é desta vida e duradouro o que é eterno. Dai-me preparar-me para a morte, temer o dia do juízo, fugir do inferno e alcançar o paraíso. Por Cristo Nosso Senhor.Amém. (Oração atribuída ao Papa Clemente XI)


Leitura (Consideração): Nesta etapa, medita-se sobre um texto sagrado ou algum aspecto da fé. A leitura deve ser feita de maneira atenta, buscando entender o que Deus quer comunicar. Não se trata apenas de ler, mas de refletir, considerar o significado mais profundo e deixar que as verdades espirituais penetrem o coração.


XXI - A ilusão em que caiu o abade João

Recentemente, o abade João, que mora em Lieo, foi enganado. Com um corpo já frágil e decadente, ele decidiu prolongar seu jejum por dois dias consecutivos. No entanto, no terceiro dia, enquanto se preparava para comer sua refeição habitual, o diabo apareceu diante dele sob a forma de um etíope monstruoso e, lançando-se aos seus pés, disse: "Perdoa-me, pois fui eu quem te fez jejuar". Então, aquele bom homem, já bastante avançado no caminho da perfeição, percebeu que o diabo o havia enganado usando uma abstinência inapropriada: uma abstinência que trouxera cansaço desnecessário ao seu corpo exausto e dano espiritual à sua alma. Ele tinha sido enganado por uma falsa moeda: havia honrado nela a imagem do verdadeiro rei, mas não havia verificado se a cunhagem era autêntica.

Agora devemos falar da última operação de um habilidoso banqueiro, que consiste, como já dissemos, em verificar o peso. Eis como se deve proceder: se nos vem a ideia de fazer algo, devemos primeiro pensar cuidadosamente, depois colocar essa ideia na balança do nosso coração e pesá-la com rigorosa precisão. Veremos então se nosso propósito está conforme a comum honestidade, se tem o peso justo em relação ao santo temor de Deus, se é puro no sentimento que o inspira. Do outro lado, veremos se é diminuído por uma ostentação humana, ou o desejo de novidade, ou se a vanglória lhe tira o peso justo. Nossa "pesagem" será feita tomando como regra uma balança verificada e aprovada; ou seja, compararemos nossos projetos com a vida e os ensinamentos dos Profetas e dos Apóstolos. Se em comparação nossos projetos se revelarem íntegros, puros e de bom peso, os manteremos; se, por outro lado, aparecerem defeituosos, prejudiciais, distantes do peso justo, os rejeitaremos com absoluta prontidão.

XXII - As quatro espécies do discernimento

Quatro formas de discernimento são necessárias para nós. Primeiro, trata-se de julgar a matéria e saber se é ouro verdadeiro ou falso. Em seguida, devemos rejeitar como moedas falsas os pensamentos que simulam aparências de piedade; esses pensamentos certamente carregam a imagem do rei, mas não são moeda de cunhagem autêntica.

Em terceiro lugar, devemos rejeitar aquelas moedas que trazem impresso — no ouro precioso das santas Escrituras — um sentido herético e falso: nesse caso, já não se tem a efígie do rei legítimo, mas a de um usurpador. Finalmente, devemos rejeitar como moedas leves, prejudiciais, inferiores ao peso, os pensamentos corroídos pela ferrugem da vaidade, desprovidos do peso e valor exigidos, porque não conformes às regras dos anciãos.

Dessa maneira, evitaremos o perigo do qual nos alerta o Senhor, e não perderemos nem o mérito nem a recompensa de nossos esforços: "Não acumuleis tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem, e onde os ladrões os desenterram e roubam".

Tudo o que fazemos para adquirir glória diante dos homens é — segundo a palavra do Senhor — um tesouro acumulado na terra. É um tesouro escondido que os demônios encontrarão, que a ferrugem da vanglória corroerá, que as traças da soberba devorarão, sem que traga alguma utilidade para aquele que o enterrou.

Devemos, portanto, examinar as profundezas do nosso coração e observar atentamente as pegadas dos pensamentos que nele entram, porque não aconteça que algum monstro espiritual — leão ou dragão que seja — deixe em nós os sinais funestos de sua passagem. Se

não vigiarmos sobre nossos pensamentos, os caminhos do nosso santuário interior serão percorridos por monstros de toda espécie. Se, por outro lado, trabalharmos, a cada hora e a cada momento, o campo do nosso coração com o arado evangélico, isto é, com o contínuo lembrar da cruz do Senhor, poderemos destruir o covil das feras ferozes e os esconderijos dos serpentes venenosas.


Resumo Esquemático do Texto

1. A Ilusão do Abade João

- Contexto: Abade João, morando em Lieo, com saúde frágil.

- Evento: Prolongou seu jejum por dois dias, enganado pelo diabo (disfarçado de etíope) no terceiro dia.

- Consequência: Percebeu que o jejum excessivo trouxe cansaço físico e dano espiritual, enganado por uma "falsa moeda".

2. Metáfora do Banqueiro

- Processo: Avaliar cuidadosamente as ações como um banqueiro verifica o peso das moedas.

- Critérios de Avaliação:

- Conformidade com a honestidade comum.

- Justiça do peso em relação ao temor de Deus.

- Pureza do sentimento inspirador.

- Ausência de ostentação humana, desejo de novidade, ou vanglória.

- Decisão: Manter ações que são íntegras e de bom peso; rejeitar as que são defeituosas ou prejudiciais.

3. As Quatro Espécies do Discernimento

- Primeira: Avaliar se o pensamento é ouro verdadeiro ou falso.

- Segunda: Rejeitar pensamentos que parecem piedosos mas são falsos.

- Terceira: Descartar interpretações heréticas das Escrituras.

- Quarta: Eliminar pensamentos corroídos pela vaidade que não atendem às normas dos anciãos.

4. Consequências da Falha no Discernimento

- Perigos: Perda de mérito e recompensa, conforme advertido pelo Senhor sobre acumular tesouros terrenos.

- Vigilância Necessária: Examinar profundamente o coração para evitar a entrada de pensamentos destrutivos.

- Manutenção Contínua: Trabalhar incessantemente o coração com lembranças da cruz do Senhor para destruir influências negativas.

Este resumo esquematiza as principais lições do texto sobre discernimento espiritual e vigilância interior, usando a analogia do trabalho de um banqueiro para ilustrar a necessidade de avaliar rigorosamente nossos pensamentos e ações.



Oração: Depois de refletir sobre a leitura, passa-se à resposta que ela suscita no coração. Esta é uma fase de diálogo íntimo com Deus, onde se expressam os sentimentos e desejos que surgiram durante a meditação, como amor, gratidão, arrependimento, desejo de ajuda e melhorias, entre outros.


Senhor, que nos ensinas a prudência e o discernimento através das histórias dos que caminharam na fé antes de nós, pedimos Tua ajuda para aprender com o erro do abade João. Que possamos reconhecer e resistir às tentações que se disfarçam de virtude, mas que, na verdade, nos levam ao esgotamento e à perda espiritual.

Ajuda-nos, Senhor, a usar a sabedoria do habilidoso banqueiro em nossas vidas: que possamos ponderar nossas decisões, colocando nossas ideias e ações na balança do coração, verificando-as contra a verdade de Tua Palavra. Que nossa medida seja sempre a autenticidade e a conformidade com os ensinamentos dos profetas e dos apóstolos, rejeitando tudo o que é falso, prejudicial ou diminuído pela vaidade.

Dá-nos a capacidade de discernir entre o ouro verdadeiro e o falso, rejeitando os pensamentos que, embora pareçam piedosos, não passam de enganos. Livra-nos de interpretar erradamente as sagradas escrituras e de adotar pensamentos que desviam do caminho justo.

Protege nossos corações contra a acumulação de tesouros terrenos, que atraem os ladrões e são corroídos pela vaidade e orgulho. Que nossas ações sempre busquem Tua glória e não a aprovação dos homens, evitando assim a corrupção espiritual.

Senhor, que possamos vigiar diligentemente sobre nossos pensamentos e purificar nossos corações com o arado evangélico. Mantém-nos firmes na lembrança de Tua cruz, destruindo as moradas de pensamentos maléficos e serpentes venenosas que buscam nos desviar.

Concluímos nossa oração confiando na Tua misericórdia e amor, que nos guiam e sustentam em cada passo de nossa jornada. Amém.


Conclusão (Colóquio): Esta fase é um encerramento onde se agradece a Deus pela oração e pelas inspirações recebidas. Pode-se fazer propósitos de melhoria em algum aspecto da vida conforme o que foi meditado, pedindo a Deus força e graça para cumprir tais propósitos. Finaliza-se com uma oração formal, como o Pai-Nosso, ou uma oração a Maria.


Senhor, ao concluir esta oração, meu coração transborda de gratidão pela Tua presença constante e pelas inspirações que derramas sobre mim. Agradeço-Te por cada palavra e ensinamento que me ajudam a caminhar com mais firmeza em direção à Tua vontade.

Neste momento, faço o propósito de aprimorar minha capacidade de discernimento, para distinguir mais claramente entre as verdadeiras virtudes e as falsas aparências de santidade. Peço Tua força e graça para resistir às tentações que se apresentam como boas, mas que, no fundo, podem levar-me ao cansaço espiritual e ao distanciamento de Ti.

Que Tua sabedoria me guie em todas as decisões, e que o Teu amor seja a luz que ilumina meu caminho. Que eu possa sempre buscar a pureza de intenção em meus atos e pensamentos, evitando qualquer vanglória ou ostentação.

Conceda-me, ó Deus, a coragem e a perseverança necessárias para rejeitar o que é prejudicial e abraçar somente aquilo que é genuíno e alinhado com os ensinamentos de Tua Palavra. Que minha vida seja um reflexo de Tua bondade e misericórdia.

Encerro esta oração com um coração renovado e um espírito disposto a seguir Teu chamado. Amém.

 
 
 

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