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Oração Mental: Riscos de sermos enganados por ações que parecem piedosas

  • 13 de abr. de 2024
  • 10 min de leitura


A oração mental, conforme ensinada por Santo Afonso Maria de Ligório e outros mestres da espiritualidade católica, é um encontro pessoal e íntimo com Deus, que busca promover o amor e a união com Ele. Santo Afonso sugere uma estrutura prática para a oração mental que pode ser muito útil para quem deseja aprofundar essa prática. Essa estrutura pode ser dividida em quatro partes principais:


  1. Preparação: Consiste em colocar-se na presença de Deus, conscientizando-se de que se está diante Dele. Aqui, busca-se afastar as distrações e centrar o coração e a mente na oração que se iniciará. Pode-se fazer um breve pedido de ajuda ao Espírito Santo para orar de maneira frutífera.

  2. Leitura (Consideração): Nesta etapa, medita-se sobre um texto sagrado ou algum aspecto da fé. A leitura deve ser feita de maneira atenta, buscando entender o que Deus quer comunicar. Não se trata apenas de ler, mas de refletir, considerar o significado mais profundo e deixar que as verdades espirituais penetrem o coração.

  3. Oração: Depois de refletir sobre a leitura, passa-se à resposta que ela suscita no coração. Esta é uma fase de diálogo íntimo com Deus, onde se expressam os sentimentos e desejos que surgiram durante a meditação, como amor, gratidão, arrependimento, desejo de ajuda e melhorias, entre outros.

  4. Conclusão (Colóquio): Esta fase é um encerramento onde se agradece a Deus pela oração e pelas inspirações recebidas. Pode-se fazer propósitos de melhoria em algum aspecto da vida conforme o que foi meditado, pedindo a Deus força e graça para cumprir tais propósitos. Finaliza-se com uma oração formal, como o Pai-Nosso, ou uma oração a Maria.


Essa estrutura não é rígida e pode ser adaptada conforme a necessidade e o tempo disponível de cada um. O mais importante é que a oração mental se torne um encontro de amor e comunhão com Deus, permitindo que Ele transforme nossas vidas.


Preparação: Consiste em colocar-se na presença de Deus, conscientizando-se de que se está diante Dele. Aqui, busca-se afastar as distrações e centrar o coração e a mente na oração que se iniciará. Pode-se fazer um breve pedido de ajuda ao Espírito Santo para orar de maneira frutífera.


Meu Deus, eu creio em vós, mas fortificai a minha fé; espero em vós, mas tornai mais confiante a minha esperança; eu vos amo, mas afervorai o meu amor; arrependo-me de ter pecado, mas aumentai o meu arrependimento. Eu vos adoro como primeiro princípio, eu vos desejo como fim último; eu vos louvo como benfeitor perpétuo, eu vos invoco como benévolo defensor. Que vossa sabedoria me dirija, vossa justiça me contenha, vossa clemência me console, vosso poder me proteja. Meu Deus, eu vos ofereço meus pensamentos, para que só pense em vós; minhas palavras, para que só fale em vós; minhas ações, para que sejam do vosso agrado; meus sofrimentos, para que sejam por vosso amor. Quero o que quiserdes, porque o que quereis como o quereis, e enquanto o quereis. Senhor eu vos peço: iluminai minha inteligência, inflamai minha vontade, purificai meu coração e santificai minha alma. Dai-me chorar os pecados passados, repelir as tentações futuras, corrigir as más inclinações e praticar as virtudes do meu estado. Concedei-me ó Deus de bondade, ardente amor por vós e aversão por meus defeitos, zelo pelo próximo e desapego do mundo. Que eu me esforce para obedecer aos meus superiores, auxiliar os que dependem de mim, dedicar-me aos amigos e perdoar os inimigos. Que eu vença a sensualidade pela austeridade, a avareza pela generosidade, a cólera pela mansidão e a tibieza pelo fervor. Torne-me prudente nas decisões, corajoso nos perigos, paciente nas adversidades e humilde na prosperidade. Fazei Senhor, que eu seja atento na oração, sóbrio nos alimentos, diligente no trabalho e firme nas resoluções. Que eu procure possuir pureza de coração e modéstia de costumes, um procedimento exemplar e uma vida reta. Que eu me aplique sempre em vencer a natureza, colaborar com a graça, guardar os mandamentos e merecer a salvação. Aprenda de vós como é pequeno o que é da terra, como é grande o que é divino, breve o que é desta vida e duradouro o que é eterno. Dai-me preparar-me para a morte, temer o dia do juízo, fugir do inferno e alcançar o paraíso. Por Cristo Nosso Senhor.Amém. (Oração atribuída ao Papa Clemente XI)


Leitura (Consideração): Nesta etapa, medita-se sobre um texto sagrado ou algum aspecto da fé. A leitura deve ser feita de maneira atenta, buscando entender o que Deus quer comunicar. Não se trata apenas de ler, mas de refletir, considerar o significado mais profundo e deixar que as verdades espirituais penetrem o coração.


XX - Modo de distinguir os pensamentos, tirado da arte do habilidoso banqueiro

Devemos sempre prestar atenção à fonte de onde nossos pensamentos derivam, para aplicar a todos aqueles que nos ocorrem um discernimento sagaz. Devemos, antes de tudo, buscar a origem, a causa, o autor, para decidir — de acordo com o mérito de quem nos os sugere — o tratamento a ser usado. Assim nos tornaremos, como nos aconselha o Senhor, habilidosos banqueiros.


A ciência e a perícia dos banqueiros mostram-se ao distinguir o ouro puríssimo — vulgarmente chamado obrizio — de outro ouro que não tenha sido suficientemente purificado no cadinho. Se um vil pedaço de metal se veste da cor do ouro e imita uma moeda preciosa, o olhar experientíssimo dos banqueiros não se deixa enganar. Eles não apenas sabem reconhecer as moedas pelo rosto dos monarcas nelas impresso, mas, dotados de uma oculatez penetrantíssima, chegam a reconhecer também as moedas que, embora marcadas pela impressão do legítimo soberano, são contudo uma falsificação. Às vezes, para melhor assegurar que nada falta ao justo peso de uma moeda, os banqueiros também consultam a balança.


Essas mesmas precauções devemos ter na vida espiritual, como nos mostra o Evangelho ao propor o banqueiro como nosso modelo. Eis então o primeiro dever: qualquer pensamento que tenha penetrado em nosso coração, qualquer regra de vida que nos tenha sido sugerida, devemos nos perguntar se vem do fogo puro e purificador do Espírito Santo, da superstição judaica, ou da orgulhosa filosofia do mundo. Devemos também observar se a piedade que certos pensamentos mostram é real ou aparente. E poderemos bem cumprir esse dever de seleção se colocarmos em prática o conselho do Apóstolo: "Não queirais crer em todo espírito, mas provai os espíritos para ver se são de Deus".


Em uma armadilha deste tipo caíram aqueles que, depois de terem feito profissão de vida solitária, se deixaram seduzir pelo esplendor de uma linguagem elegante e pelas máximas dos filósofos, que — à primeira vista — pareciam piedosas e conformes à religião. Sim, essas máximas tinham certamente o brilho do ouro, mas era um brilho enganador; de fato, aqueles que se deixaram seduzir pelo seu aspecto se encontraram para sempre miseráveis e nus, como pessoas enganadas por uma moeda falsa. Precisamente dessas máximas muitos solitários foram repelidos no barulho do mundo, ou foram atraídos para o erro dos hereges, ou ainda a pensamentos de orgulho. Um destino semelhante aconteceu a Acã, conforme lemos no livro de Josué. Ele desejou ardentemente uma lâmina de ouro proveniente do acampamento dos Filisteus, e a roubou; mas este gesto lhe valeu ser atingido por anátema e ser condenado à morte eterna.

Em segundo lugar, devemos cuidar para não permitir que uma interpretação errada da Sagrada Escritura — semelhante a uma marca falsa impressa em ouro genuíno — nos engane. Neste sentido, aquele mestre de astúcia que é o demônio tentou enganar até mesmo o Senhor, como se estivesse lidando com um simples homem. Certas palavras do livro sagrado, que se referem genericamente aos justos, foram alteradas pelo maligno com interpretação malévola e aplicadas principalmente àquele que, único, não precisa da guarda dos anjos. Disse de fato Satanás: "Se tu és filho de Deus, atira-te daqui, porque está escrito: Ele deu ordem a seus anjos a teu respeito, e eles te sustentarão em suas mãos, para que o teu pé não tropece em pedra". Dizendo isso, o mentiroso adulterava maliciosamente as palavras da Sagrada Escritura, que distorcia para um sentido nocivo e contrário ao verdadeiro, com o objetivo de ocultar seu rosto odioso de tirano, sob as aparências enganosas do ouro. Outras vezes, Satanás tenta nos enganar com moedas falsificadas: tenta fazer-nos realizar alguma obra de piedade que — por não ser aprovada pelo costume — conduz ao vício, sob aparência de virtude. São exemplos deste tipo de engano: os jejuns sem regra e fora de tempo, as vigílias excessivas, as orações desordenadas, as leituras fora de lugar: todas coisas das quais o demônio se serve para nos fazer terminar mal. Ainda nos sugere que nos intrometamos nos assuntos alheios, que façamos visitas por motivos de caridade, mas o verdadeiro fim é nos tirar da santa clausura do mosteiro e do segredo de uma paz amiga. Às vezes nos empurra a ocupar-nos de mulheres consagradas a Deus e desprovidas de apoio; assim desvia os pobres monges de seu verdadeiro propósito, depois de tê-los envolto em uma rede inextricável de preocupações perigosas. Pode também nos empurrar a desejar as ocupações — embora santas — que são próprias dos sacerdotes; e faz isso sob o pretexto de beneficiar muitas almas e conquistá-las para Deus. Mas o verdadeiro fim é de nos arrancar, por esse meio, à humildade e à austeridade de nossa vida.


Todas essas obras, embora pareçam contrárias à nossa saúde, ao nosso sistema de vida, conseguem facilmente enganar os simples e os incautos, dado que se vestem de certo véu de piedade religiosa. À guisa de moedas que imitam a imagem do legítimo soberano, essas obras — à primeira vista — parecem excelentes, mas não vêm do palácio da casa da moeda e dos cunhadores aprovados, ou seja: não vêm dos Padres aprovados e católicos. São, portanto, moedas fabricadas secretamente, com a fraude dos demônios, e entram em circulação com grande dano dos imprudentes e dos ignorantes.


Admitamos ainda que as obras possam ter um aspecto de utilidade: todavia, se contrastam com a nossa profissão e põem em perigo a essência mesma da vida monástica, devemos cortá-las e lançá-las longe de nós, como se faria com um membro do nosso corpo (por exemplo, uma mão ou um pé) que tivesse se tornado causa de infecção mortal para todas as outras membros. É preferível ter um membro a menos (no nosso caso, renunciar a realizar uma obra de piedade) mas permanecer sãos no resto e entrar fracos no reino dos céus, do que cair em algum escândalo por querer fazer tudo.


Dessa queda poderia derivar um mau costume, o mau costume poderia nos separar da regra de austeridade e dos propósitos abraçados; no final — incapazes já de nos recuperarmos — nós poderíamos ver todos os nossos méritos passados e todas as obras de nossa vida, tornarem-se presa do fogo do inferno. De ilusões semelhantes fala elegantemente também o livro dos Provérbios: "Há um caminho que parece direito ao homem, mas os seus finais conduzem à morte". E ainda: "O maligno prejudica quando se une ao justo", que quer dizer: o diabo engana quando se veste de aparências santas. "Ele odeia a palavra que adverte", ou seja, odeia o sentido da discrição que deriva das palavras e dos admonishments dos anciãos. (Texto de João Cassiano).


Resumo Esquemático do Texto: "XX - Modo de distinguir os pensamentos, tirado da arte do habilidoso banqueiro" (João Cassiano)

1. Introdução ao método

- Devemos analisar a fonte de nossos pensamentos.

- Assim como um banqueiro hábil, devemos aplicar discernimento acurado.

2. Paralelo com banqueiros

- A habilidade dos banqueiros é mostrada ao distinguir ouro puro de metais inferiores.

- Utilizam experiência visual e balanças para assegurar a autenticidade das moedas.

3. Aplicação na vida espiritual

- Assim como os banqueiros, devemos ser meticulosos na análise dos pensamentos e regras de vida sugeridas.

- Questionar se os pensamentos são influenciados pelo Espírito Santo, superstições ou filosofias mundanas.

- Examinar a verdadeira piedade dos pensamentos.

4. Perigos da sedução por pensamentos inadequados

- Exemplo de eremitas seduzidos por linguagem elegante e filosofia que parecia religiosa.

- A sedução resulta em miséria e nudez espiritual, comparada ao engano por moeda falsa.

5. Cuidado com interpretações erradas e tentações

- Satanás, como exemplo, distorce a Sagrada Escritura para enganar.

- Riscos de sermos enganados por ações que parecem piedosas mas não são aprovadas por autoridades eclesiásticas respeitáveis.

6. O verdadeiro objetivo das ações enganosas

- Ações podem parecer úteis mas contrastam com a vida monástica e sua essência.

- Evitar ser enganado por ações que, embora pareçam religiosas, são na verdade prejudiciais.

7. Conclusão

- A importância de renunciar às práticas enganosas para manter a integridade espiritual.

- Meta final é entrar no reino dos céus, mesmo que enfraquecido, em vez de cair em escândalos.

Este resumo destaca a mensagem central de João Cassiano sobre a vigilância constante e discernimento na vida espiritual, usando a metáfora do banqueiro habilidoso para ilustrar a importância de discernir a verdadeira natureza dos pensamentos e ações.



Oração: Depois de refletir sobre a leitura, passa-se à resposta que ela suscita no coração. Esta é uma fase de diálogo íntimo com Deus, onde se expressam os sentimentos e desejos que surgiram durante a meditação, como amor, gratidão, arrependimento, desejo de ajuda e melhorias, entre outros.


Senhor, que sejas Tu a luz que guia os pensamentos e as ações de nossas vidas. Concede-nos a graça de discernir com sabedoria, assim como os banqueiros habilidosos que diferenciam o ouro puro do enganoso, para que possamos identificar a origem e a verdade de cada pensamento que nos visita. Ajuda-nos a examinar e provar os espíritos, discernindo se provêm de Teu Santo Espírito ou são frutos das ilusões do mundo e das artimanhas do maligno.


Fortalece nossa vigilância para não sermos seduzidos por falsas aparências de piedade ou enganados por doutrinas que, embora brilhantes como ouro, são meras falsificações que conduzem ao erro e à perdição. Guarda-nos de sermos atraídos por qualquer prática que, embora revestida de santidade, seja na verdade uma armadilha que afasta de Ti.


Dá-nos a coragem de rejeitar qualquer ação que, mesmo parecendo benéfica, contrarie nossa verdadeira vocação e o compromisso com a vida que escolhemos seguir em Ti. Que possamos sempre buscar a Tua face e Tua verdade, colocando todas as nossas obras à luz do Teu julgamento, para que não sejamos levados ao engano.


Ó Pai, conduze-nos pelo caminho da humildade e da austeridade verdadeira, para que, renunciando às obras enganosas deste mundo, possamos entrar, mesmo fracos, no Reino dos Céus, evitando o escândalo e preservando os méritos de uma vida dedicada a Ti. Que nossas vidas e ações reflitam sempre o Teu amor e a Tua santidade, para que não sejamos presa do fogo do inferno, mas sim herdeiros da vida eterna. Amém.


Conclusão (Colóquio): Esta fase é um encerramento onde se agradece a Deus pela oração e pelas inspirações recebidas. Pode-se fazer propósitos de melhoria em algum aspecto da vida conforme o que foi meditado, pedindo a Deus força e graça para cumprir tais propósitos. Finaliza-se com uma oração formal, como o Pai-Nosso, ou uma oração a Maria.


Senhor, ao encerrar este momento de oração, eu Te agradeço sinceramente por toda inspiração e discernimento que me concedeste. Através da reflexão, pude perceber a necessidade de um exame constante dos pensamentos e influências que me cercam, buscando sempre Tua luz e Tua verdade.


Faço o propósito de melhorar minha vigilância espiritual, para não ser enganado por aparências ou palavras que, embora atraentes, podem desviar-me do caminho que conduz a Ti. Peço, Senhor, a Tua força e a Tua graça para que eu possa permanecer fiel aos ensinamentos que recebi e crescer na fé, na esperança e na caridade.

 
 
 

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