Podemos comprar a nossa felicidade?
- 11 de abr. de 2024
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Vivemos numa era digital onde cada clique é contabilizado. Desde cedo, aprendemos a arte de capturar a atenção, frequentemente usando táticas que beiram a manipulação. No mundo adulto, cada interação parece uma oportunidade de venda, repleta de estratégias de marketing que nos incitam a comprar sob a pressão de "ofertas imperdíveis".
Este cenário desafiador testa nosso discernimento. Frequentemente, os vendedores não veem os consumidores como pessoas, mas como meras oportunidades de transação. Mesmo os bem-intencionados, que desejam ajudar, podem ter seu julgamento ofuscado pela urgência de "fazer o dinheiro girar", promovendo uma cultura onde a felicidade é falsamente atrelada à riqueza e ao consumo.
Nesse contexto, as palavras de São João Cassiano ressoam com força: "Todas as vezes que retiramos nossos corações das preocupações do mundo, somos capazes de ascender ao céu". Cassiano nos incentiva a centrar nossa alma em Deus, longe das distrações mundanas. O Evangelho de Lucas complementa esta visão, lembrando-nos que "o reino de Deus está dentro de vós" (Lucas 17:21), indicando que a verdadeira paz e alegria são internas, não dependentes do externo.
Santo Agostinho, em suas "Confissões", narra sua transformação de uma vida de indulgências para uma de descobertas espirituais profundas. Ele encontrou em Deus uma felicidade que nenhum produto poderia oferecer, mostrando-nos que deveríamos buscar não a aprovação material, mas valores eternos que nutrem nossa alma.
A direção espiritual oferece uma defesa contra a persuasão incansável do marketing. Ela nos proporciona clareza, suporte e um espaço para discernimento genuíno, ajudando-nos a cultivar o reino de Deus dentro de nós. Neste reino interno, encontramos resistência à cultura de consumo que nos envolve.
São Francisco de Assis, conhecido por sua vida de simplicidade e amor, mostrou como viver de forma autêntica e significativa, independente das pressões de consumo. Ele nos ensina que a verdadeira felicidade e liberdade vêm não da independência financeira, mas de uma alegre e consciente dependência de Deus.
Portanto, enquanto o mundo insiste que a felicidade pode ser comprada, o cristianismo nos convida a redescobrir o reino de Deus dentro de nós — um reino de justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Aqui, a verdadeira felicidade não é encontrada em bens materiais, mas no supremo bem da presença contínua de Deus em nossas vidas.






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