Quando o terapeuta se torna insensível e desumano
- 28 de abr. de 2024
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Ontem, durante a celebração de aniversário de um querido amigo octogenário, tive uma experiência reveladora. Ao cumprimentar-me, meu amigo olhou diretamente em meus olhos, dedicando-me toda sua atenção, uma conexão genuína e calorosa. No entanto, a atmosfera mudou com a chegada de um político, também amigo do aniversariante. A frieza de seu cumprimento era palpável, uma distância emocional típica de quem, por anos, lidou com inúmeras pessoas sem realmente se conectar a elas. Apesar de vestir uma camisa com dizeres católicos, sua interação foi tão impessoal quanto tratar um objeto inanimado.
Essa indiferença não é exclusiva dos políticos. É um fenômeno também visível em terapeutas e líderes espirituais que, sobrecarregados pela demanda constante, endurecem ao invés de se tornarem mais empáticos. Quem nunca experimentou ou, pelo menos, não foi essa pessoa alguma vez? Tornam-se desensibilizados, vendo as pessoas não como indivíduos, mas meramente como mais um na fila.
É desolador conversar com alguém que não faz contato visual ou que permanece distraído com outras atividades, reduzindo a interação humana a um plano de fundo inaudível.
Este episódio me levou a refletir sobre a superficialidade das nossas interações modernas.
"Nunca se soube tanto e se dialogou tão pouco."
Vivemos numa era onde a quantidade de informação e das certezas absolutas suplantou a qualidade das relações humanas.
Talvez, devêssemos resgatar o hábito da leitura; um livro, ao contrário das distrações digitais, exige foco exclusivo e proporciona um tempo de qualidade conosco mesmos.
E, claro, não podemos esquecer o poder da oração. A oração mental é uma prática esquecida que nos reconecta com Deus, que nos sustenta e envolve em cada momento. Ao contrário das meditações orientais que buscam o esvaziamento, a oração cristã é um diálogo amoroso com Deus.
Como nos lembra Mateus 6,6, "Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto; e seu Pai, que vê em secreto, o recompensará."
Além disso, Hebreus 13,2 nos adverte: "Não se esqueçam da hospitalidade, pois, por meio dela, alguns, sem saber, hospedaram anjos."
E em Tiago 1,19: "Todo homem deve ser rápido para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar."
Estas escrituras reforçam a importância de valorizar cada interação como uma oportunidade sagrada de conexão verdadeira. Que possamos todos buscar esse ideal em nossas vidas diárias.





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