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Se queres entender os comentadores tomistas, leia Tomás

  • 27 de abr. de 2024
  • 2 min de leitura


A figura de Tomás de Aquino transcende sua monumental contribuição à filosofia e teologia através de suas obras. Ele não apenas ajudou a moldar o pensamento cristão com suas ideias, mas também definiu um método de abordagem intelectual que permanece relevante: uma integração respeitosa e profunda entre fé e razão. Este método tem inspirado estudiosos e comentadores ao longo dos séculos, que buscam perpetuar e dialogar com seu legado.


Entre esses estudiosos, destacam-se figuras como Tomás de Vio Caietano, Cornelio Fabro, Reginald Garrigou-Lagrange, John of St. Thomas, Sylvester of Ferrara e Jacques Maritain, etc, etc... Cada um, a seu modo, expandiu e reinterpretou os ensinamentos de Tomás de Aquino, mostrando que seu pensamento não é uma relíquia do passado, mas um recurso vivo para enfrentar questões contemporâneas.


Sylvester of Ferrara, em particular, ressaltou a importância de entender a base do pensamento de Tomás de Aquino para apreciar adequadamente seus comentários e os de outros, com sua famosa recomendação:


"Se queres entender Caetano, leia Tomás de Aquino."

Esta citação sublinha a necessidade de voltar constantemente às origens de seu pensamento para captar sua essência autêntica.


A própria Igreja Católica, reconhecendo a importância da metodologia de Tomás de Aquino, destacou na encíclica Optatam Totius do Concílio Vaticano II que sua abordagem deveria ser um modelo para a formação filosófica e teológica dos sacerdotes. Mais do que uma instrução em teologia, a encíclica sugere um modo de engajamento intelectual que valoriza tanto a abertura quanto a profundidade do diálogo interdisciplinar.


Contudo, é crucial distinguir entre o acúmulo de conhecimento e a verdadeira sabedoria. Em uma era de informação abundante, é fácil confundir saber muito com ser sábio. Tomás de Aquino nos ensina que a sabedoria não é apenas uma questão de acumular conhecimento ou conteúdo, mas de integrar esse saber à vida de uma maneira que ilumine e oriente tanto a nós mesmos quanto aos outros. O estudo Tomista, portanto, deve transcender a erudição para cultivar uma sabedoria que equilibra conhecimento e discernimento, visando não apenas entender o mundo, mas melhorá-lo.


Erudição, portanto, não é sinônimo de sabedoria e verdadeira ciência filosófica e teológica. Não devemos nos intimidar diante de pessoas que citam autores que talvez não conheçamos, citam livros e mais livros, citam e citam como se a conquista da verdade fosse a conquista de uma bibliografia... mas, no fundo, não têm a sabedoria, ou seja, não digeriram o que eles mesmos leram, não entenderam o contexto maior de tudo. Façamo o nosso caminho com paz de espírito, com discernimento e proveito. Lembremo-nos que Jesus e Maria, por algum motivo, preferiram sempre aparecer e dar a santidade a almas humildes e muitas vezes não instruídas porque a força de Deus é maior do que a nossa.


Tomás de Aquino nos deixou um legado que vai além de suas obras escritas; ele nos ofereceu uma maneira de abordar o saber com humildade e propósito. Seu exemplo continua a ser um farol para todos aqueles que buscam não só entender, mas também aplicar a sabedoria em suas vidas e trabalhos. Em nossa jornada intelectual e espiritual, que possamos lembrar que a verdadeira sabedoria reside não apenas no saber, mas no ser.

 
 
 

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