Às vezes, fico surpreso com a bondade com a qual algumas almas conseguem falar de Deus.
- 21 de mar. de 2024
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Às vezes, fico surpreso com a bondade com a qual algumas almas conseguem falar ou escrever a respeito de Deus.
Há seres humanos que trazem no coração uma proximidade ao coração de Jesus, uma essência pura e amorosa que parece ultrapassar os limites do entendimento humano. E é essa bondade inerente que se revela como a chave mestra para desvendar os mistérios mais profundos de Deus. A busca pelo divino, frequentemente, nos leva a labirintos de conhecimento, lógica e razão. Contudo, essas ferramentas, por mais afiadas que sejam, parecem inadequadas para tocar o cerne da existência divina. Para verdadeiramente penetrar os mistérios de Deus, é necessário um ingrediente que transcende a mera acumulação de saber: o amor.

Ontem, enquanto admirava as páginas do livrinho do padre Fortea, "Historia del Mundo Angelico", percebi que, mais do que um tratado sobre a origem dos anjos, o texto se revela como um olhar de amor a Deus. Este olhar permitiu que o sacerdote, com suas palavras, tocasse suavemente em mistérios que nos são tão distantes. Aproximar-se do divino sem a necessidade de visões místicas ou de uma elevação espiritual incomum mostra que o caminho para Deus é acessível a todos. O que ressaltou, além de uma ótica capacidade narrativa, teológica e de imaginação, foi um grande amor.
A essa reflexão, acrescentamos o pequeno livrinho "A Imitação de Cristo", por Thomas de Kempis, uma obra que, de forma semelhante, se revela não como um tratado lógico e sistemático, mas como um texto escrito no amor. Kempis compõe sua obra com uma espontaneidade tocante, como se fossem retalhos de momentos de iluminação divina. Este livro, desprovido de uma estrutura rígida, flui mais como uma série de reflexões profundas sobre a vida espiritual, a humildade, o amor e a imitação de Cristo. É possível notar que Kempis privilegia uma abordagem amorosa, na qual o saber intelectual cede espaço ao saber do coração, à sabedoria nascida da experiência direta do amor divino.

Este grande amor é a prova de que a verdadeira compreensão dos mistérios divinos não exige conhecimento esotérico nem capacidades sobre-humanas, mas sim uma proximidade ao coração. O padre Fortea, através de seu livro, e Thomas de Kempis, por meio de sua imitação de Cristo, demonstram que é possível, mesmo para nós, seres humanos com nossas limitações e fragilidades, estabelecer uma relação profunda com o divino. Eles nos mostram que o amor, em sua forma mais pura e incondicional, é a verdadeira chave para compreender Deus e seus mistérios.
A jornada em busca do divino é, em sua essência, uma jornada de amor. O amor é a linguagem universal que nos permite, mesmo em nossa limitada condição humana, dialogar com o infinito. Não é pelo acúmulo de conhecimento ou pela afiação da lógica que nos aproximamos de Deus, mas pela capacidade de amar profundamente, de ver além do véu das aparências e tocar o coração do divino.





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