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Thácio Siqueira Agendar

Músicas e Reflexões · Vocação e missão

A Escada da Alma (Arquitetura do Silêncio)

Aqui embaixo, no vale das sombras e luzes Onde o "eu" é um ídolo e a alma reduzse Telas que gritam, o caos sublunar Demônios sussurram pra me acorrentar. Na pedra pesada da Filautía eu tropeço Amor a si mesmo, o meu avesso. A multidão cega não vê a montanha Presa no ruído dessa teia estranha.

Mas eu vi a ponte, o caminho estreito Onde monges guerreiros protegem o leito. Espadas em punho contra os Logismoi Cortando o pensamento que fere e dói. Não deixo a sugestão virar paixão Eu luto na porta do meu coração.

Essa é a Arquitetura do Silêncio Construindo a Hesychia no caos moderno Pedra por pedra, degrau por degrau Fugindo do efêmero, buscando o eterno. Não é fuga do mundo, é encontro com a Luz A escalada sagrada que a alma conduz.

Cruzo os portões da Prácsis sagrada A vida ascética, a vontade domada. Subo na torre, acendo o farol É a santa Népsis, vigilante como o sol. Atenção plena, o olhar sentinela A mente vigia da sua janela. O que entra, o que sai, o que fica, o que vai Na disciplina, o velho homem cai.

E depois da batalha, o ar fica leve Um jardim murado onde a paz se inscreve. Cheguei à Apáteia, o mar sem ondas Onde as paixões já não fazem rondas. Não é insensatez, é o fim da doença Onde a alma repousa na pura presença. O silêncio floresce, o medo desfaz O coração limpo encontra a sua paz.

Mas não paro no jardim, o cume me chama! Acima das nuvens, acendese a chama. No observatório da Gnosis, eu sei. Na pura Teoría, a Deus contemplei. O Olho que tudo vê lança seu raio Me ergue do chão, já não mais desmaio. É a Theosis, o fim da viagem Deixar de ser eu, pra ser Sua imagem!

Essa é a Arquitetura do Silêncio Construindo a Hesychia no caos moderno Pedra por pedra, degrau por degrau Fugindo do efêmero, buscando o eterno. No templo dourado, o descanso profundo A paz que sustenta o peso do mundo.

Hesychia... Silêncio... Deus.