Músicas e Reflexões · Salmos e profetas
Canção do Profeta (Ezequiel 3)
Come o rolo, filho do homem, deixa a Palavra te devorar. Não fales do alto da mente, fala do fundo do altar. É doce o mel na meditação, mas amarga é a missão, quando a verdade ferir quem amas, e o amor for tua prisão.
Fala só quando Deus mandar, fica mudo se Ele calar. Entre o mel e o fel da cruz, vive a voz que conduz. Profeta não fala por si, é eco da voz que arde ali — no vale, na dor, na alma em brasa, onde o Espírito faz morada.
Não te mando a povos estranhos, mas aos teus, que não querem ouvir. Endurece a fronte, sê diamante, sem deixar de sentir. A ternura é tua espada, a fortaleza, tua fé. Quem serve ao Deus da verdade não teme o que o mundo é.
Fala só quando Deus mandar, fica mudo se Ele calar. Entre o mel e o fel da cruz, vive a voz que conduz. Profeta não fala por si, é eco da voz que arde ali — no vale, na dor, na alma em brasa, onde o Espírito faz morada.
O Espírito me arrebatou, ouvi o som da glória ao redor. Mas o peso da mão do Senhor me lançou ao pó, ao suor. Alegria e amargura, a cruz é o meu pão. A Palavra me consome como fogo no coração.
Sou vigia sobre o muro, grito quando o mal vem chegando. Se eu calar, o sangue clama, sou culpado por não ter falado. Mas se anuncio a verdade, mesmo que ninguém ouça mais, salvo minha alma cansada no silêncio dos portais.
Fala só quando Deus mandar, fica mudo se Ele calar. O silêncio também é verbo, quando o céu quer ensinar. Profeta é quem sofre em Deus, é sentinela e é altar. Entre o mel e o fel da cruz, é ali que Ele vai falar.