Músicas e Reflexões · Histórias de fé
Catedrais de Vidro
Eles têm dezoito anos e o mundo nas mãos E um rosário pendurado no espelho do carro Entre aulas matadas e tardes de verão Eles juram que o pecado é só um cigarro. Ela usa uma cruz de prata que brilha no escuro Ele sabe de cor o credo, mas pula as partes difíceis Construíram um templo onde o corpo é o muro E a alma se perde em toques e superfícies.
Domingo de manhã, olhos vermelhos de sono Eles entram na fila, o ritual é automático Recebem o pão sagrado sem descer do trono De uma vida urgente, de um amor estático. Eles dizem "Amém", mas o pensamento voa Pra o banco de trás, pro cheiro, pra pressa A fé é um adorno, uma estampa na roupa Uma desculpa antiga que ninguém mais confessa.
E eles acham que o céu é o teto do quarto Que a eternidade dura enquanto durar o desejo Mas há uma fome estranha que sobra no prato E um silêncio gritante depois de cada beijo.
Não, o amor não é só carne, suor e barulho! Não é consumir o outro até não sobrar nada Existe uma chama que queima sem ser orgulho Uma luz que espera na estrada apagada. Saiam desse teatro, quebrem as vitrines O verdadeiro amor não pede, ele se dá Além do toque, onde a alma define A amizade com Deus é o único lugar... Onde se pode descansar.
Eles correm nas vias de alta velocidade Desenfreados, rindo do perigo e da lei Acham que a juventude é a única verdade E que o corpo é o único e soberano rei. Mas o vidro embaça e o tempo não para E o enfeite no peito começa a pesar Quando a festa termina e a luz fica clara Quem é que vai estar lá pra te escutar?
Olhe pra cima... Vocês não são apenas química e instinto. Existe um amigo que conhece o labirinto. Ele não quer sacrifícios, nem rituais vazios Ele quer a verdade que corre nos rios... Nos rios de dentro.
Porque o amor não é só carne, suor e barulho! Não é consumir o outro até não sobrar nada Existe uma chama que queima sem ser orgulho Uma luz que espera na estrada apagada. Rasguem o adorno, busquem a essência Onde o sagrado e o humano se encontram a sós A amizade divina é a pura ciência De sermos, enfim, maiores que nós.
Maiores que nós...
Maiores que nós...
É mais que o toque. É mais que o toque.