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Thácio Siqueira Agendar

Músicas e Reflexões · Histórias de fé

Feridos e de Pé

Casaram no frio de julho, de mãos trêmulas e oração, dois jovens que diziam “sim” com fé no coração. Prometeram o céu, juraram o eterno, mas ninguém contou que o amor também pode ser inverno.

No começo era fácil rezar e sorrir, planejar os filhos, a casa, o porvir. Mas vieram os dias cinzentos, o peso e o silêncio, e o que era bonito virou denso.

Ele começou a calar, ela a cobrar, o coração deles cansou de lutar. Vieram tentações, mensagens, feridas, e o perdão virou espada nas vidas.

Mas ainda assim, entre lágrimas e dor, se ajoelharam diante do Senhor. E o terço rezado entre soluços e medo, foi o fio que os manteve de pé, mesmo sem enredo.

Feridos, mas de pé. Chorando, mas com fé. Caindo, mas voltando a amar. Com cicatrizes que doem no olhar. Eles sabem que o céu é conquista diária, que amar é cruz, não é só poesia. E o Deus que uniu os dois, ainda os sustenta todo dia.

Houve um tempo em que a raiva foi dona da casa, palavras cortantes, o amor em brasa. Ela chorou trancada, ele dormiu no sofá, e a solidão fez morada sem avisar.

Mas veio a confissão, o conselho do padre, e um terapeuta que os ajudou a enxergar. O pecado não é fim, é ferida que se trata, e a graça, o remédio que volta a pulsar.

Teve noite de oração sem força pra crer, teve dia que um quis morrer. Mas o outro ficou, segurou, insistiu, e o Espírito Santo intercedeu e os uniu.

Feridos, mas de pé. Chorando, mas com fé. Caindo, mas voltando a amar. Com cicatrizes que doem no olhar. Eles sabem que o céu é conquista diária, que amar é cruz, não é só poesia. E o Deus que uniu os dois, ainda os sustenta todo dia.

Quando ele pensou em acabar com a dor, foi o olhar dela que o fez lembrar do amor. E quando ela quis fugir da vida, foi a voz dele que disse: “Ainda há saída.”

Não existe amor sem prova, nem cura sem ferida, mas cada recomeço é nova vida. E a fé, costurando as dores e os medos, é o milagre escondido nos segredos.

Hoje, de cabelos grisalhos e coração gasto, eles rezam o terço devagar, com compasso exato. O perdão já não dói como doía, mas ainda lembra o que custou cada dia.

E olhando pro crucifixo na parede fria, sabem que amar é morrer um pouco todo dia. Mas é também ressuscitar na fidelidade, porque a graça não falha, só pede verdade.

Feridos, mas de pé. Chorando, mas com fé. Caindo, mas voltando a amar. Com cicatrizes que o tempo não vai apagar. Eles sabem que o céu se alcança sangrando, e que o amor é Cristo se entregando. E o Deus que os uniu no altar, ainda insiste em os reerguer e amar.

No final, não foram felizes o tempo todo, mas foram santos no modo que amaram. E o céu, quando os vir chegar, há de sorrir — porque mesmo feridos, eles chegaram lá.