Músicas e Reflexões · Consciência e virtude
Harmonia da Alma
A alma que eu sou não é vento ao léu é forma do meu corpo e busca o céu
Há em mim um silêncio que pensa há em mim um querer que acende há em mim sentimentos que dançam como mar que avança e que retém Aristóteles aponta o caminho Tomás ilumina com razão e fé eu sou composto, uno e vivo corpo e alma no que sou e no que é
No íntimo habita uma chama que pergunta pelo bem se o fim é alto a vida se ordena e o coração descansa também
Intelecto, vontade, afetos três notas num mesmo refrão ver o verdadeiro, querer o bem e ordenar a paixão quando a mente vê, o querer consente e o afeto aprende a canção virtude conduz os passos para a bem-aventurança em visão
Intelecto primeiro contempla não se cansa de buscar apreende o que é, discerne separa o real do imaginar há o intelecto que intui princípios e a razão que os faz caminhar das causas às consequências até a verdade alcançar ele pede objetos universais não se farta de entender e quando a luz cumpre o ofício brota o juízo do saber
Mas conhecer não basta se o amor não se levantar o bem conhecido pede escolha para a vida se orientar
Intelecto, vontade, afetos três notas num mesmo refrão ver o verdadeiro, querer o bem e ordenar a paixão quando a mente vê, o querer consente e o afeto aprende a canção virtude conduz os passos para a bem-aventurança em visão
Vontade é apetite racional ela corre atrás do bem persegue o fim mais alto e escolhe os meios também ela ama o bem universal não se fecha no prazer pesa custos, mede estradas e decide como ser se o intelecto mostra a rota a vontade pode aderir e com hábitos de excelência aprende a sempre preferir
Prudência guia o timão fortaleza não recua temperança acalma o mar justiça faz justa a rua virtudes humanas afinam as cordas do coração a graça eleva o horizonte e purifica a intenção
E os afetos, que marulham profundos nas praias da emoção são forças que Deus não despreza mas precisam direção há o concupiscível, que busca o doce bem da fruição alegria, amor, desejo e repulsa da corrupção há o irascível, valente que enfrenta o perigo e a dor esperança, audácia, temor ira que pede ardor quando a razão assenta a regra e a vontade firma o bem o afeto aprende a medida e a paz visita também
Intelecto, vontade, afetos três notas num mesmo refrão ver o verdadeiro, querer o bem e ordenar a paixão quando a mente vê, o querer consente e o afeto aprende a canção virtude conduz os passos para a bem-aventurança em visão
Não sou dois nem três fragmentos sou unidade em tensão corpo e alma, forma e matéria num único ser em ação a alma dá vida ao corpo e o corpo expressa o que sou o ato vem da potência e o hábito lapidou se o fim último me chama bem supremo, comunhão é porque fui feito para o Real que sustém a canção
Quando erro o alvo do bem e confundo luz e calor o intelecto pede estudo e a vontade pede amor os afetos pedem escola onde a cruz é professor pois a regra é a reta razão e a medida é o Senhor
Intelecto busca a verdade sem ferir o que não vê vontade abraça o caminho que a prudência lhe dá a ler afetos, como cavalos domados para correr não quebram o ritmo do passo fazem a alma florescer e se o fim da longa estrada é felicidade em plenitude contemplar a própria Causa é a maior beatitude
Intelecto, vontade, afetos harmonia que pede oração ver, querer, sentir em ordem num só ato do coração quando a mente adora a Verdade e o querer escolhe o Bem a paixão canta afinada e a vida diz amém
Que o pensar seja luz que o querer seja fiel que o sentir seja manso como trigo no céu Aristóteles indica Tomás depura a lição sou alma que informa o corpo em caminho de perfeição