Músicas e Reflexões · Deus, o Ser e a alma
Incipit: De Amoris Natura
Tudo principia no intelecto, no puro ato de conhecer, Pois não se ama o oculto, nem aquilo que não se pode ver. O amor é a paixão primeira, o motor de todo o movimento, Que inclina a nossa vontade e acende o firme pensamento. É o bem que atrai o apetite, na busca da plena perfeição, Nascido da semelhança, guiando a alma à comunhão.
O amor é força unitiva, laço sagrado e conexão, É a mútua inerência, o amado vivo no coração. Traz o êxtase da alma, que de si mesma sai para o Outro, Mas é duelo de olhares, quando o Outro surge diante de nós.
Há o amor de amizade, que deseja o bem do companheiro, E o de concupiscência, que busca o bem para si primeiro. Ao alcançar o desejado, a alma repousa em plena alegria, Mas padece na ausência, entre a dor e a agonia. Ele dilata o peito, faz o coração humano ceder, Moldando cada ato para que o bem possa enfim florescer.
Mas na trama da existência, há um conflito singular, A liberdade do Outro que o meu desejo tenta capturar. Eu me entrego e me rebaixo para forçar o seu querer, Num paradoxo da mente onde ninguém pode vencer. Pois no mundo, o homem é apenas uma paixão fútil, Lutando por controle em um labirinto vago e inútil.
Além de toda disputa e da paixão que nos invade, Surge o amor mais perfeito, que chamamos Caridade. É a amizade sincera que nos une ao Sumo Bem, E estende os braços abertos ao inimigo também. No fim de todo desejo, quando a angústia se apagar, O amor é a vida da alma, onde todos vamos repousar.
Amen.