Músicas e Reflexões · Consciência e virtude
Luz Sobre o Caos
No espelho da alma, vejo o que neguei, as sombras que abracei, o bem que abandonei. O silêncio me revela o que o ruído escondia, o coração disperso, cansado de correria.
Ver-me é graça, é dor, é luz e ferida, é cair aos pés da Verdade viva. Não quero mentir-me pra sobreviver, quero a verdade que faz renascer.
As máscaras caem quando encaro o olhar, do Deus que não finge, mas vem me curar. Não é condenação, é misericórdia ardente, que mostra o mal pra libertar a mente.
O orgulho grita: “não olhes pra ti!”, mas a alma suplica: “olha e volta aqui!”. Entre o medo e a graça, a ponte é o arrependimento, é deixar que a luz faça morada no pensamento.
Ver-me é graça, é dor, é luz e ferida, é cair aos pés da Verdade viva. Não quero mentir-me pra sobreviver, quero a verdade que faz renascer.
Quantas vezes fugi do que era real, preferindo a paz falsa ao combate moral. Mas o amor me esperava no abismo da fuga, com mãos que não julgam, mas seguram e escutam.
Ver-me é morrer pro engano antigo, é confessar que a culpa precisa de abrigo. É parar de culpar o mundo e os outros, e enxergar em mim os caminhos tortos.
Há desordem no afeto, nas razões e desejos, há correntes sutis, e tantos lampejos. Mas quem se vê com coragem e fé, descobre o Céu nas ruínas que é.
O coração não se cura se não se abre, a luz só entra onde a alma encare. Quem vê sua dor, começa a viver, quem se humilha, aprende a crescer.
Ver-me é graça, é dor, é cruz e guarida, é cair nos braços da Vida bendita. Não quero fingir que sou o que não sou, quero ser inteiro diante do que é bom.
O primeiro passo é ver a própria desordem, sem medo, sem fuga, sem desculpas. Pois só quem vê a própria noite, pode amanhecer em Deus.