Músicas e Reflexões · Paixão e Eucaristia
O Estranho no Caminho (A Inocência e o Resgate)
Kyrie Eleison...
Ele caminhava pela estrada de terra como quem não tinha onde reclinar a cabeça. Seus pés estavam sujos, mas seus olhos brilhavam com uma pureza que assustava. Ele curou a mão do homem que o odiava e deu pão a quem o amaldiçoava. Nunca levantou a voz, nunca revidou o golpe, nunca guardou o mal.
A história conta que o pegaram no meio da noite, como se fosse um ladrão. Ele, que tinha feito as mãos de quem o algemava, permaneceu em silêncio absoluto. Levaram o Inocente ao tribunal dos culpados e o julgaram pelo crime de ser Bom. Cuspiram na face de quem criou a chuva e riram da sede de quem fez as águas.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi... Aquele que deu a vida a todos, via agora a morte ser tramada por seus próprios filhos. O Inocente carregava o peso, mas o peso não era o da madeira, era o do nosso desprezo.
E aqui vem a reviravolta que rasga o coração: No alto do morro, entre o cansaço e o sangue, Ele olhou para os carrascos. Não havia ódio em seu olhar, não havia o desejo de que um raio caísse do céu. Ele abriu os braços sobre o lenho, não porque foi forçado pelos pregos, Mas porque o seu Amor era maior que a dor que o atravessava.
Ele poderia ter chamado legiões de anjos para destruir o mundo inteiro, Mas preferiu morrer sozinho para que o mundo pudesse viver. Ele pagou a dívida de quem o matava, enquanto o sangue lavava o chão. A reviravolta foi essa: no momento em que o matávamos, Ele nos adotava.
Kyrie Eleison... Christe Eleison... A dor era dele, mas a paz se tornou nossa. A entrega foi dele, mas a liberdade foi dada a nós.
Ele não era apenas um homem morrendo, era o perdão tomando forma de corpo. Pagou pelo que não quebrou, amou quem o abandonou. Sua inocência é o nosso escudo, Sua morte é o nosso tudo.
Está perdoado... Tudo foi pago... Iesu...