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Thácio Siqueira Agendar

Músicas e Reflexões · O Verbo, Maria e a Revelação

O Humilde que Desceu

Antes do tempo, o Verbo existia em luz inacessível. Nada Lhe faltava, pois tudo n’Ele era plenitude. Mas o Amor, que é o próprio Deus, não quis permanecer distante. O Infinito inclinou-se sobre o finito, e o Todo-Poderoso entrou na fragilidade.

Assim começou o mistério da descida.

Santo Tomás de Aquino ensina: “Convinha que o Filho de Deus se fizesse homem, para que, pela sua visível humildade, o homem fosse curado da soberba.”(STh III, q.1, a.2) O Eterno se fez pequeno, para que o pequeno pudesse ver o Eterno.

Deus desceu… para que o homem subisse. No seio da Virgem, o Verbo se revestiu de carne. A glória se velou na pobreza. A força se escondeu na fraqueza. E o Rei do Céu dormiu num estábulo.

São Leão Magno proclama: “Sem diminuir o que era, Deus assumiu o que não era.”(Sermo 21,1) Aquele que criou o mundo quis ser criado por uma mulher. Aquele que sustenta o universo precisou dos braços de uma mãe.

Ó paradoxo sagrado! A Majestade ajoelha-se diante da miséria humana, para que a miséria se levante diante de Deus.

Ele desceu às sombras do mundo, para trazer ao homem a luz. Desceu à morte, para abrir as portas da vida. Desceu até o pó, para que o pó respirasse o sopro divino.

E na Cruz, onde pareceu derrota, a humildade venceu o orgulho dos séculos.

Santo Tomás escreve: “Foi por amor, e não por necessidade, que Deus se encarnou.”(STh III, q.1, a.2 ad 2) O amor verdadeiro se inclina, não para dominar, mas para servir. O Verbo se inclinou até nós e lavou os pés da humanidade. Quem contempla esse abaixamento aprende que a santidade começa de joelhos.

Senhor Jesus, Tu que és o Humilde que desceu, ensina-me o caminho da descida. Livra-me do orgulho que te crucifica de novo. Que eu me curve diante da tua grandeza escondida, e encontre, no serviço, a tua glória.

ilha o meu coração para elevá-lo contigo. Pois Tu desceste para que eu subisse.

Deus desceu… para que o homem subisse. O Eterno entrou no tempo, para que o tempo tocasse a eternidade. O Altíssimo se abaixou, para erguer o que havia caído.

Deus desceu… para que o homem subisse.

Ó Cristo, ilde e glorioso, servo e Senhor, ensina-nos a descer contigo, para ressurgir contigo em luz.

Pois tua humildade é a escada que nos conduz ao Céu.