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Thácio Siqueira Agendar

Músicas e Reflexões · Vocação e missão

O Sábado da Alma

O alho eu esmago com força na mão O rosto fechado, pura tensão Lá no fundo a sala parece brilhar Mas aqui na cozinha eu não sei parar Achei que servia, achei que era amor Mas o que sinto agora é somente dor Um peso no peito, o pavio se apagou O meu "sim" pra tudo me silenciou.

A culpa sussurra que eu perdi a fé Mas meu corpo treme, não para em pé Não é a alma que nega a oração É o grito da carne pedindo o chão.

Se até o Criador no sétimo dia Cessou sua obra e o mundo acolhia Quem sou eu pra achar que não posso parar? Que o céu vai cair se eu descansar? Vou soltar o peso, largar a incerteza Pois a Graça supõe a natureza A Graça supõe a natureza.

Olhei pra Marta pintada na tela E vi meu cansaço no rosto dela Querendo aplauso pelo sofrimento Fugindo do próprio silêncio de dentro Mas a Voz me diz, num tom devagar: "Só uma coisa precisa ficar" Não é produzir, nem correr, nem somar É ter a coragem de só respirar.

Dormir é humildade, é reconhecer Que não sou eu quem sustenta o viver O mundo gira enquanto eu durmo Deus está no comando, eu mudo o rumo.

Até Deus descansou... Eu posso parar. A Graça supõe... O meu descansar.