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Thácio Siqueira Agendar

Músicas e Reflexões · Salmos e profetas

Quando Deus Derruba

Construí templos de vidro e vaidade, chamei de fé o que era ambição. Fiz da verdade uma tese elegante, mas não deixei caber o coração. Deus olhou meus altares dourados, e soprou com o vento da desilusão. Tudo ruiu — mas era graça, o fogo ardendo em purificação.

Quando Deus derruba, não é pra punir, é pra refazer o chão onde eu caí. Quando Ele destrói, é pra me abrir, pra que o amor possa, enfim, surgir. Entre as cinzas, Ele me ensina: a ruína é a oficina da vida divina.

O homem só muda quando perde o controle, só reza quando o céu se fecha. Enquanto o templo está de pé, a alma se esquece que é poeira e promessa. Deus não grita, Ele desmonta, as torres do ego, tijolo por tijolo. E no meio do pó, ouço Sua voz: “Agora posso morar em ti, afinal és solo.”

Quando Deus derruba, não é pra punir, é pra curar o que deixei ruir. Quando Ele destrói, é pra construir, um coração que aprenda a ouvir. Entre as pedras, nasce a semente, a dor é o altar do amor paciente.

O ouro se prova no fogo, a alma na solidão. O exílio é escola de santos, a queda, o início da conversão. E quando o mundo desaba, é o Céu quem se inclina pra ver: quantos ainda amam a Verdade, mesmo sem nada ter.

Hoje caminho entre ruínas sagradas, não peço trono, nem explicação. Só quero ser o resto fiel que ainda guarda o Nome na escuridão. Jerusalém caiu, mas Deus ficou, nas lágrimas dos que não fugiram. E quando tudo parecia perdido, descobri: era assim que os santos nasciam.

Quando Deus derruba, Ele quer salvar, quebra os ídolos pra poder ficar. Quando Ele destrói, é por amar, e o que Ele queima, é pra iluminar. Entre as ruínas, o Espírito sopra, faz nova a alma, refaz a obra. E eu me prostro, sem voz, sem glória, mas inteiro — na misericórdia.

Tudo o que cai, se cai em Deus, renasce. Toda dor, se entregue a Ele, se faz oração. E o pó que sobra depois do juízo… é o começo da criação.