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Thácio Siqueira Agendar

Músicas e Reflexões · Histórias de fé

Sansão e Dalila (Crônica de um Amor Cego)

Sansão era forte, de corpo e promessa, Desde o ventre, Deus já o guardava na peça. Um homem valente, com a força nas mãos, Mas o coração… vivia em confusão.

Nasceu nazireu, separado pra Deus, Mas gostava da vida, dos beijos e dos seus. Viu Dalila um dia, bonita demais, E esqueceu o chamado que vinha do Pai.

E foi assim, cedendo devagar, Brincando com o fogo, fingindo controlar. O amor doentio parece consolo, Mas vai sugando a alma, tira o controle e o colo.

Dalila sorria, dizia “me ama”, E ele ria bobo, caía na trama. Três vezes mentiu, três vezes tentou, Até que o segredo ele mesmo entregou.

Ela chamou os homens, e o sonho acabou, Cortaram-lhe os cabelos, e Deus se calou. Ele abriu os olhos, mas já não via, Cego por dentro, cego de guia.

E foi assim, jogado ao chão, O herói virou prisioneiro da paixão. Quem não vigia o próprio coração, Vira refém da sua ilusão.

Dalila é o nome de tudo o que engana, Do vício, do medo, da dor que nos chama. A voz que promete prazer e carinho, Mas leva a alma pra longe do caminho.

Lá no moinho, girando sozinho, Sansão foi lembrando o caminho antigo. “Senhor, lembra de mim, dá-me Tua mão”, E Deus respondeu no fundo do coração.

E foi assim, no fim da história, Que a fraqueza virou vitória. Cego, ele viu o que nunca enxergou, Que a força é dom de quem orou.

E assim termina a lição da vida, Que amor sem Deus é ferida. A falta de vigilância custa caro demais, E a liberdade volta… quando a alma faz paz.

Se o amor te enfraquece, não é amor. Se te prende, não vem do Senhor. A força maior é saber vigiar, Pra não cair no mesmo lugar.