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Thácio Siqueira Agendar

14 de março de 2024 · 5 min de leitura

A Complexidade das Emoções: Uma Perspectiva Contemporânea Inspirada em Santo Tomás de Aquino

A Complexidade das Emoções: Uma Perspectiva Contemporânea Inspirada em Santo Tomás de Aquino

Martha Nussbaum é uma das filósofas mais respeitadas hoje quando o assunto é emoção. A tese dela, em Upheavals of Thought, é que emoções não são impulsos cegos: são juízos de valor. A pessoa sente medo porque avaliou alguma coisa como ameaça a algo que lhe importa.

É uma tese forte, e ela tem oitocentos anos.

O tratado das paixões

Santo Tomás dedica uma seção inteira da Suma às paixões da alma, e o mecanismo que ele descreve é esse mesmo. Antes da paixão vem uma apreensão: a pessoa percebe alguma coisa como conveniente ou inconveniente para si, e é dessa avaliação que nasce o movimento do apetite.

Ou seja: emoção, para Tomás, já é interpretação. Ela sempre diz alguma coisa sobre o que a pessoa considera bom.

Como ele organiza as onze

Tomás separa o apetite em dois, e a divisão explica muita confusão.

No concupiscível, que lida com o que é simplesmente bom ou mau: amor e ódio; desejo e aversão; alegria e tristeza. Repare no par — o bem ausente produz desejo, o bem presente produz alegria. É a mesma coisa em dois tempos.

No irascível, que lida com o bem difícil, o que custa: esperança e desespero; audácia e medo; e a ira, que não tem contrária, porque ninguém é sereno em relação a um mal já sofrido.

São onze paixões, e a lista é surpreendentemente completa. Boa parte da psicologia das emoções, quando faz taxonomia, chega perto disso por outro caminho.

Por que isso importa fora da academia

Porque muda o que se faz com a emoção.

Se sentir é impulso cego, não há muito a fazer além de descarregar ou reprimir — e essas são as duas coisas que a maioria das pessoas faz.

Se sentir é juízo, então há um terceiro caminho: examinar o juízo. Quem sente inveja está julgando que aquilo que o outro tem lhe faltava e lhe era devido. Quem sente medo constante está julgando o mundo mais perigoso do que ele é. O juízo pode estar errado — e juízo errado se corrige.

É daí que vem a conclusão prática de Tomás, e ela é otimista sem ser ingênua: a pessoa não é determinada pelas próprias emoções. A razão trabalha sobre elas, e desse trabalho, feito com repetição, nascem as virtudes.

Nussbaum chega a uma conclusão parecida sobre o papel da educação das emoções. Vale ler os dois, na ordem que se quiser — e reparar que a redescoberta é sempre mais interessante do que a novidade.

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