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Thácio Siqueira Agendar

27 de junho de 2024 · 3 min de leitura

As Quatro Espécies de Oração

As Quatro Espécies de Oração

João Cassiano dedica uma conferência inteira a uma frase de São Paulo a Timóteo: «recomendo que se façam súplicas, orações, petições e ações de graças por todos os homens» (1Tm 2,1). Onde a maioria lê quatro sinônimos, Cassiano lê quatro coisas diferentes — e diz que elas formam uma ordem, e que a ordem importa.

1. Súplica (obsecratio)

É a oração de quem pede perdão. Nasce da compunção: a pessoa vê o que fez e pede misericórdia. Cassiano a põe em primeiro lugar porque é por onde todo mundo começa, e porque ninguém pula esta etapa.

É a oração do publicano no fundo do templo, que não levanta os olhos e bate no peito. E é o Salmo 22 (21 na Vulgata), que Jesus reza na cruz: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?»

2. Oração (oratio)

Aqui oratio tem sentido estrito: é voto, é oferecimento. A pessoa não pede — ela promete, entrega alguma coisa, compromete-se.

Jesus faz isso em João 17: «Eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer» (Jo 17,4); «por eles eu me consagro, para que também eles sejam consagrados na verdade» (Jo 17,19). Não há pedido nessas frases. Há entrega.

3. Petição (postulatio)

É a intercessão: pedir por outra pessoa. Cassiano observa que ela vem depois das duas primeiras, e não por acaso — quem já se reconheceu necessitado e já se entregou reza pelos outros de um jeito diferente de quem ainda não fez nem uma coisa nem outra.

«Pai, quero que aqueles que me deste estejam comigo onde eu estiver» (Jo 17,24). E, na cruz: «Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem» (Lc 23,34).

4. Ação de graças (gratiarum actio)

É a última, e é a que sobra quando não falta mais nada a pedir. A alma agradece pelo que recebeu, e depois agradece por quem Deus é.

«Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e as revelaste aos pequeninos» (Mt 11,25). E: «Pai, eu te dou graças porque me ouviste; eu sabia que sempre me ouves» (Jo 11,41-42).

O que Cassiano faz com isso

Ele diz duas coisas que valem mais do que a classificação.

A primeira é que as quatro não são degraus a abandonar. Uma alma madura reza as quatro no mesmo dia, e às vezes na mesma oração — João 17 tem as quatro dentro.

A segunda é a que São Paulo repete em Filipenses 4,6: «em toda oração e súplica, com ação de graças, apresentai os vossos pedidos a Deus». Com ação de graças. Seja qual for o pedido, ela entra junto — e é o que separa a oração do requerimento.

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