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Thácio Siqueira Agendar

13 de março de 2024 · 3 min de leitura

Como um católico se prepara para a Terceira Guerra Mundial?

Numa insônia de madrugada, esbarrei num vídeo de um casal católico que mora na Alemanha falando do clima na Europa.

Começa com os memoriais da Segunda Guerra, e é essa a moldura: eles vivem cercados de pedra que lembra o que aconteceu ali há oitenta anos, enquanto o noticiário de hoje soa parecido demais. Falam de segurança, de futuro, e das decisões difíceis que talvez precisem tomar por causa dos filhos.

O que me interessou não foi o alarme. Foi a honestidade: eles admitem a tentação de assumir o controle de tudo numa crise, e admitem que a fé deles fica oscilando — e que é a comunidade em volta que os segura nos dias em que ela falha.

A decisão do pai de Ratzinger

Aquilo me lembrou uma história que eu conheço de perto. Há alguns anos traduzi para o português uma biografia de Bento XVI — Servos de Deus e da Humanidade, da editora Quadrante —, lida e aprovada pelo próprio papa Bento.

O livro conta que, anos antes da Segunda Guerra, o pai de Joseph Ratzinger reparou para onde a Alemanha estava indo. Pediu aposentadoria, juntou o que tinha e comprou uma casa longe do centro do país.

Foi decisão de um policial, não de um profeta: ele viu o que estava acontecendo e agiu. E foi ela que manteve aquela família em segurança nos anos seguintes.

Isto não é sensacionalismo

O cristão não nega o que está diante dos olhos.

Agostinho descreveu com dor as guerras do seu tempo, e morreu durante o cerco de Hipona pelos vândalos — dentro da cidade sitiada, escrevendo até o fim.

E há a instrução do próprio Jesus, que costuma ser esquecida: quando virdes o sinal, «fujam para os montes». Os cristãos de Jerusalém levaram aquilo a sério e saíram da cidade antes do ano 70. Não ficaram para ver.

Ou seja: confiar em Deus nunca significou ficar parado.

O que muda

Enquanto bilionários cavam abrigos, o cristão faz duas coisas ao mesmo tempo, e nenhuma exclui a outra.

Pergunta a Deus o que dá para fazer — porque quase sempre há alguma coisa, e ela é pequena e concreta: onde morar, o que guardar, com quem contar, a quem avisar.

E confia, sabendo que a confiança não é sobre o resultado. É sobre quem está com você dentro do que vier.

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