6 de abril de 2025 · 3 min de leitura
Como Amar Quem Nos Fere: um livro para quem convive com a doença mental dentro de casa

«Ela grita, me acusa, quebra coisas, me olha com ódio. Mas é minha filha. E eu a amo. Só que já não sei mais como.»
— Ana, mãe de uma jovem com transtorno de personalidade borderline
A doença mental não se vê. É essa a diferença cruel entre ela e uma perna quebrada: ninguém oferece ajuda a quem cuida, porque ninguém repara que há o que cuidar.
E ela se manifesta em coisas que machucam de verdade — mentira, manipulação, crise de raiva, frieza, chantagem, palavra dita para ferir e que acerta o alvo. Quem convive com isso vive com a fé sob teste permanente, e quase sempre em silêncio.
Foi para essas pessoas — mães, pais, cônjuges, filhos — que escrevi Como Amar Quem Nos Fere: fé e doença mental na família.
Onde está Deus quando a mente adoece
Ana criou a filha na fé. Levou à missa, ensinou a rezar. Hoje ouve que é a culpada de tudo, e a filha já se cortou mais de uma vez.
A pergunta dela é a pergunta do livro: Deus ainda está aqui?
O que eu respondo, e desenvolvo lá dentro:
A graça alcança quem está doente. Inclusive no surto, inclusive na agressividade. Perceber o mundo torto não afasta ninguém de Deus.
Misericórdia não é conivência. Amar com inteligência espiritual inclui recusar o que é abuso, mesmo vindo de quem se ama, e mesmo quando essa pessoa está doente.
Quem cuida também está numa vocação. Não como consolo retórico: cuidar de alguém assim consome anos de vida, e esses anos não são perdidos.
Limite é ato de caridade. Amor não é aceitar tudo. Dizer não, com firmeza e sem crueldade, faz parte de cuidar — e às vezes é a única coisa que ainda funciona.
Sem romantizar nada
O livro não idealiza a dor e não romantiza a loucura. Reconhece o cansaço de quem cuida sem apoio, sem escuta e sem que ninguém agradeça — que é a situação mais comum de todas.
Está na Biblioteca, para ler ou baixar.