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Thácio Siqueira Agendar

2 de março de 2024 · 2 min de leitura

Convém que um católico fique 5 anos em silêncio numa faculdade de psicologia?

Convém que um católico fique 5 anos em silêncio numa faculdade de psicologia?

Um católico que entra numa faculdade de psicologia recebe, cedo ou tarde, o mesmo conselho: fique quieto, faça o curso, pegue o diploma e depois pense o que quiser. Cinco anos de silêncio.

Entendo o conselho e não acho que ele funcione.

Funciona a primeira parte do diagnóstico: o ambiente costuma ser hostil mesmo. Você aprende rápido a ler o olhar que muda quando você diz alguma coisa que denuncia de onde você vem. E não são só as universidades públicas — em instituições que se dizem católicas acontece a mesma coisa, às vezes com mais constrangimento, porque ali ninguém esperava.

Daí vem a tentação seguinte, que é construir o refúgio: a nossa academia, a nossa sociedade, os nossos cursos, um país paralelo onde nada disso entra. É confortável, e é o contrário do que o cristianismo fez. Ele não venceu criando um circuito fechado; entrou na cultura que existia e a mudou por dentro, com estudo, com afeto, com argumento, e às vezes com o testemunho de quem morreu sem revidar.


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Então o que fazer no meio de uma aula em que se afirma como evidente uma coisa que você não aceita?

Há hora de calar. Não o silêncio de quem tem medo — o silêncio de quem ainda não estudou o suficiente para falar daquilo, e sabe disso. Esse silêncio é honesto, e é o mais raro dos dois.

E há hora de falar, e aí a regra é chata mas é simples: falar do que você domina, dizendo de onde vem, sem transformar a aula em púlpito. Uma pergunta bem colocada faz mais estrago numa má teoria do que um discurso, e ninguém consegue revidar uma pergunta.

Falta a parte incômoda. Em muita crítica que se faz à religião dentro da psicologia há um grão de verdade, e ele diz respeito a coisas que de fato aconteceram: gente que trocou tratamento por reza, culpa usada como método, sofrimento tratado como falta de fé. Quem reconhece isso ganha o direito de ser ouvido no resto. Quem nega tudo perde a conversa no primeiro minuto.

Ninguém sabe se vai ver fruto disso. O que dá para dizer é que o número de católicos que sentem essa inquietação hoje não é pequeno, e isso raramente é coincidência.

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