6 de março de 2024 · 2 min de leitura
O que quer dizer «terapeuta católico»

Começo pelo que «terapeuta católico» não quer dizer. Não é cargo, não é função dentro da Igreja, e ninguém me nomeou para isso. Quer dizer que sou católico e que a minha fé não fica do lado de fora quando eu trabalho.
A formação vem de dois lugares. Quinze anos de vida monástica, primeiro. Depois dez anos em Roma, no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, entre filosofia, teologia e cursos de formação terapêutica. Isso não me põe acima de ninguém; explica de onde vem o que eu uso.
O que eu faço é acompanhamento espiritual, e é preciso dizer isso com todas as letras: complementa, e não substitui, o tratamento psicológico ou psiquiátrico. Quem está em tratamento continua nele. Não sou psicólogo e não trato doença.
A antropologia que uso é a de Santo Tomás, e o que ela tem de útil aqui é a recusa em partir a pessoa ao meio. Corpo e alma não são dois inquilinos do mesmo prédio: o que acontece num aparece no outro. Daí vêm duas coisas que aparecem no trabalho o tempo todo. A primeira é que a responsabilidade e a liberdade da pessoa são levadas a sério — ninguém é apenas produto do que lhe fizeram. A segunda é que o pecado pessoal tem efeito no corpo e na cabeça, e o caminho de volta passa pelas virtudes e pelos sacramentos, a confissão e a Eucaristia em primeiro lugar.
O objetivo não é dar conselho prudente. É que a pessoa chegue a um encontro com o que ela é e com Deus — e isso não se faz em uma conversa.
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