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Thácio Siqueira Agendar

25 de abril de 2025 · 5 min de leitura

Os Inimigos da Igreja mudaram de tática e nós caímos em suas armadilhas

Os Inimigos da Igreja mudaram de tática e nós caímos em suas armadilhas

Por Thácio Siqueira

O papa Francisco morreu na oitava da Páscoa, com os altares ainda vestidos de festa. Um homem que dividiu opiniões a vida inteira uniu multidões em silêncio no dia em que partiu.

Foi uma morte cristã, e isso não é detalhe. Numa época em que se morre aos berros ou se esconde a morte como constrangimento, ver um velho de branco partir sereno, entregando-se ao Pai, ainda desconcerta. Ele deixou nisso uma lição que vale mais do que documento: morrer é confiar.

O que veio depois é que precisa ser lido com atenção

Nos dias seguintes aconteceu uma coisa estranha. Quem passou décadas atacando a Igreja publicou homenagens comovidas. Obediências maçônicas europeias divulgaram notas de pesar. Partidos que defendem o aborto se declararam inspirados pelo legado dele. Jornais que zombavam de Bento XVI e insultavam João Paulo II exaltaram Francisco como «o papa do nosso tempo».

Não houve conversão nenhuma. Houve mudança de método.

Atacar de frente já não funciona bem: cria mártir, e mártir consolida. Elogiar seletivamente funciona melhor, porque divide por dentro. E o alvo perfeito dessa manobra não é o papa — é a imagem que se constrói dele, recortada, isolada da comunhão com o resto da Tradição.

O Francisco que fabricaram

Ele falou de misericórdia, de acolhimento e de escuta, e nunca negou o pecado. Falou de diálogo, de ponte e de periferia, e nunca renunciou à cruz. Os gestos eram pastorais e a fé era sacramental.

Onde a linguagem dele deu margem, a margem foi ocupada. Recortaram homilias, silenciaram os gestos de fé, e entregaram ao público um Francisco útil: progressista, domesticado, ícone de uma revolução moral que ele não pregou.

E nós caímos

A prova de que a manobra funcionou é o estado do rebanho. Católicos brigam entre si por causa de um papa que nenhum dos lados descreve com honestidade. Quem já estava inclinado à rebeldia o acusou de heresia. Quem já flertava com o relativismo o usou como álibi.

Ele partiu em paz, e nós ficamos discutindo a versão.

A lição que sobra

Não se trata de canonizar Francisco nem de atacá-lo. Trata-se de aprender que fidelidade não é o mesmo que unanimidade. O cristão adulto não idolatra nem destrói: ele distingue.

E convém reconhecer o formato novo do ataque, porque ele é difícil de ver: não é a catedral queimada. É o elogio interessado, a aliança dúbia, o abraço que serve para dividir a família.

Que Francisco, agora livre das palavras que puseram na boca dele, interceda por nós.

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