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Thácio Siqueira Agendar

15 de dezembro de 2023 · 2 min de leitura

Por que a antropologia de Tomás voltou a ser útil

Por que a antropologia de Tomás voltou a ser útil

A filosofia moderna, em boa parte dos seus caminhos, largou o realismo. Foi para dentro: sistemas fechados, autossuficientes, em que verdade, natureza, bem e mal deixam de ser coisas do mundo e passam a ser posições do sujeito. O resultado é o relativismo que a gente conhece, em que a única árbitra da realidade é a impressão de cada um.

Isso não fica na universidade. Uma pessoa que não tem resposta para «o que sou eu» também não tem resposta para «o que devo fazer com isto que estou sentindo». Daí a procura por remédio, por terapia, por mais uma terapia — muitas vezes atrás de resolver, no plano do sintoma, uma desorientação que é de outra ordem.

É por isso que a antropologia de Tomás volta a ser útil, e não por nostalgia. Ela afirma três coisas que hoje soam radicais: que existe uma natureza humana, e portanto há o que serve e o que não serve a ela; que a pessoa é uma unidade de corpo e alma, e não uma consciência hospedada num corpo; e que ela tem um fim, um para quê, que não foi inventado por ela.

Junto com isso vem a relação entre fé e razão, que em Tomás não é armistício. Cada uma alcança o que alcança, nenhuma anula a outra, e quando parecem se contradizer, uma das duas está sendo mal lida. É uma posição mais exigente do que o ceticismo, porque obriga a pensar até o fim em vez de encerrar o assunto dizendo que cada um tem a sua verdade.

Reexaminar as raízes da nossa ideia de ser humano não é exercício de arqueologia. É a diferença entre tratar um sintoma e saber de quem é o sintoma.

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