28 de dezembro de 2025 · 3 min de leitura
Stranger Things: você não é um produto de prateleira

Todo mundo gosta de Stranger Things. A gente vibra com a Eleven, ri com o Dustin, torce contra os monstros do Mundo Invertido. E nas últimas temporadas a série passou a tratar de outro assunto com muita força: sexualidade e identidade.
Você provavelmente viu as cenas. Com a trilha sonora certa e o roteiro ajustado, tudo parece resolvido: a pessoa descobre quem é, conta para todo mundo, e acaba bem.
Aqui fora não funciona assim, e vale a pena entender por quê.
A vida não tem roteirista
Netflix é entretenimento. Não é manual.
Na série, um personagem se define em três episódios porque o roteiro precisa disso para andar. Na adolescência de verdade, tudo está mudando ao mesmo tempo — o corpo, os hormônios, o jeito de pensar. Uma coisa que parece definitiva aos quinze pode não ser aos vinte e cinco, e isso não é falha de caráter: é como a idade funciona.
O aperto vem de fora. Nas redes e na escola há uma pressão real para você colar um rótulo na testa hoje: hétero, bi, gay. Rótulo é bom para produto na prateleira, porque produto não muda. Você está no meio de uma travessia, e travessia não é ponto final.
Você não é só o que você sente
A cultura pop repete que somos o que sentimos. Testa isso com outro sentimento: você também sente raiva, preguiça, inveja. Você é a sua raiva? Não. Você é alguém que sente raiva e decide o que fazer com ela.
Com a atração é a mesma coisa. Ter dúvida, sentir coisas diferentes, estar confuso — nada disso obriga você a levantar bandeira nenhuma amanhã.
E tem a parte que quase ninguém fala: e se o que você sente bater de frente com o que você acredita?
Muito jovem sofre calado por causa disso. Tem fé, tem valores de família, tem um projeto de vida, e nada disso combina com o que a turma diz que é legal. Se você sente uma coisa e, pela sua fé ou pelo que você quer da sua vida, decide não seguir por ali, você tem esse direito. Ninguém pode te dizer que você está mentindo para si mesmo. Seguir o que você acredita é uma forma de ser verdadeiro, e não o contrário dela.
Não seja o coadjuvante
O Mundo Invertido mais perigoso de hoje não tem monstro de dente afiado. É o lugar onde todo mundo pensa igual, veste igual e repete a mesma opinião com medo de sobrar.
Rebeldia, hoje, é conseguir parar e dizer: espera aí. Eu tenho direito às minhas dúvidas, ao meu tempo e aos meus valores.
Assista à série, divirta-se. Só não deixe um roteiro de Hollywood decidir quem você é.