15 de abril de 2025 · 3 min de leitura
Terça-feira Santa: O Coração de Jesus Entre a Luz e a Sombra

Por Thácio Siqueira
A Terça-feira Santa não tem procissão nem celebração própria. É o dia mais silencioso da semana no calendário — e foi um dos mais cheios na vida de Jesus.
O que os Evangelhos registram
- A última pregação pública de Jesus no Templo. Depois disso ele não volta a ensinar em público.
- O anúncio da destruição de Jerusalém e o discurso sobre o fim dos tempos.
- Os «ais» contra os fariseus, que são o texto mais duro que Jesus pronuncia em todo o Evangelho.
- O elogio à viúva pobre, que põe no cofre duas moedinhas e, diz ele, deu mais do que todos.
- A saída para o Monte das Oliveiras, de onde ele olha a cidade e chora por ela.
E, em paralelo, no mesmo dia: Judas procura os sacerdotes e negocia. Trinta moedas de prata — no direito da época, o preço de um escravo.
Uma nota antes de continuar
O que vem a seguir é meditação, e é preciso dizer com clareza de onde ela vem. Muito do que se conta sobre os dias da Semana Santa vem de revelações privadas — a beata Ana Catarina Emmerich, madre Maria Cecília Baij e outras. Revelação privada não é doutrina, não obriga ninguém, e não acrescenta nada ao que foi revelado. Serve como auxílio da devoção, quando ajuda a rezar, e nada mais. O que segue tem esse estatuto.
O dia por dentro
Ao amanhecer. A cidade clareia e ele caminha entre homens que fingem escutar e já decidiram a sentença. O Templo está cheio de gente e vazio de fé — e as duas coisas podem acontecer no mesmo lugar, ao mesmo tempo, e é isso que assusta.
No Templo. Vieram com perguntas armadas: o imposto, o maior mandamento, a herança da mulher com sete maridos. Nenhuma delas era pergunta de verdade. Ele responde com verdade a quem não queria resposta — que é a coisa mais solitária que existe.
Judas. Saiu de manhã dizendo que ia resolver alguma coisa. E ainda haveria, dois dias depois, um lugar para ele à mesa, e o pão molhado entregue na mão. Continuou sendo amado até o fim, sabendo-se tudo.
Diante da viúva. No mesmo dia dos «ais» terríveis contra os doutores, o que ele para para olhar é uma senhora pondo duas moedinhas no cofre. É o contraste do dia inteiro em duas cenas: quem tem tudo e dá do que sobra, e quem não tem nada e dá o que falta.
Ao entardecer, no Monte das Oliveiras. Ele olha Jerusalém de cima e chora. Não é choro de derrota. É o choro de quem previu o que vai acontecer com aquela cidade e teria impedido, e não pôde, porque ela não quis.
O que fazer com este dia
A Terça-feira Santa é o dia de perguntar o que a gente faz com o que já ouviu. Porque ali quase todos ouviram, e quase ninguém mudou de ideia — e nenhum deles se achava de má-fé.