21 de março de 2024 · 2 min de leitura
Às vezes, fico surpreso com a bondade com a qual algumas almas conseguem falar de Deus.

Às vezes eu fico surpreso com a bondade com que certas pessoas conseguem falar de Deus.
Não é técnica de escrita, e não é erudição — dá para ler dois autores igualmente preparados e sentir que só um deles gosta do assunto. O outro está expondo. Quem lê percebe a diferença antes de conseguir explicá-la.
Saiba maisOntem eu estava com o livrinho do padre Fortea, Historia del Mundo Angélico. É um tratado sobre a origem dos anjos, com boa teologia e imaginação de sobra, e o que mais aparece nele não é nenhuma das duas coisas: é o afeto de quem está falando de gente de quem gosta. Ele toca em mistérios distantíssimos sem endurecer o tom, e sem precisar de visão mística nenhuma para isso.
A Imitação de Cristo, de Tomás de Kempis, é o outro caso, e é mais claro ainda. Não tem estrutura de tratado — não há tese, divisão, prova. São pedaços de reflexão sobre humildade, amor e seguimento de Cristo, escritos como quem anota o que acabou de entender. E é um dos livros mais lidos da história cristã, o que devia dizer alguma coisa a quem acha que só se ensina por sistema.
Saiba maisOs dois mostram a mesma coisa: não é preciso conhecimento raro nem capacidade fora do comum para chegar perto dessas coisas. É preciso gostar delas. Quem gosta escreve diferente, e o leitor sente.