Músicas e Reflexões · Consciência e virtude
Canto de Santo Tomás sobre a Consciência
Ó Deus, nosso Senhor, revela a Verdade em nós. São Tomás nos ensina, pela Santa Doutrina. A consciência, em seu ser mais próprio, não é uma potência da alma.
Mas sim, um ato, ato do saber. É a ordenação da ciência para alguma coisa. A aplicar o nosso conhecimento ao que praticamos, ao nosso intento.
Em três formas se manifesta:
Primeiro, ela há de testificar, se fizemos ou não fizemos tal obra.
Segundo, vem a instigar no caminho, a nos mostrar, pela razão, se é lícito o ato.
Terceiro, haverá de acusar e repreender, pelo remorso que nos julga o feito. O julgamento sobre o ato, se bom ou mau.
A consciência, enquanto ato, não permanece sempre, mas existe em sua causa. A causa é o hábito, a raiz natural.
Este hábito se chama sindérese, o princípio primário, a lei de nosso intelecto. Pois a Lei Natural, por excelência, é a participação da Lei Eterna.
No homem, criatura racional, há o lume, a razão reta que governa. A consciência julga a mácula do pecado, embora o pecado resida na vontade. Nós a buscamos para o bem viver, pois ela aplica a Lei ao nosso ser.
Imagine a consciência como um lançador de dardos que está sempre em ação, mirando a meta. O dardo, o ato, é o julgamento sobre a moralidade de uma ação específica. O braço forte e fixo que segura e guia o lançador é a sindérese, o hábito, que garante que a mira — a Lei Eterna — seja sempre conhecida, mesmo que a aplicação final do dardo, a consciência, possa, por vezes, errar o alvo.