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Thácio Siqueira Agendar

15 de abril de 2024 · 2 min de leitura

A vida espiritual não se fundamenta em nossas emoções passageiras

A vida espiritual não se fundamenta em nossas emoções passageiras

Rezar quando dá vontade e parar quando não dá é o jeito mais rápido de não ter vida espiritual nenhuma. Ela se sustenta em prática constante, em virtude e em alinhar a própria vontade à de Deus — coisas que não dependem do humor da semana.

E ela também não se mede em minutos de reza. Conheço gente que faz maratona de orações e não cumpre os mandamentos, não vai à missa de domingo, não se confessa. A frase de Jesus sobre isso é curta: quem me ama guarda os meus mandamentos.

Estudar ajuda — teologia ascética e mística, vida de santos. Mas estudo sozinho também não basta. É preciso um plano pessoal, com objetivo e meta claros, senão o esforço todo vira filosofia sem aplicação, e filosofia sem aplicação não muda ninguém.

Quando o cuidado com a alma some, o efeito aparece rápido e por fora: a pessoa fica amarga, e passa o dia dentro de política, notícia e fofoca. É o que sobra quando não há mais nada acontecendo por dentro.

Falta uma última coisa, e é a mais difícil para muita gente: humildade para ouvir alguém mais velho e mais experiente. Sim, faltam padres, e sim, Jesus conduz cada um pessoalmente. Ainda assim, Deus escolhe agir por gente. Samuel foi formado por Eli, que era um sacerdote com erros graves de família, e nem por isso deixou de ser quem ensinou o menino a reconhecer a voz de Deus. Paulo, depois de ser derrubado no caminho de Damasco por Cristo em pessoa, foi mandado a Ananias — um cristão comum — para ser instruído e batizado.

Deuteronômio resume: «pergunta a teu pai, e ele te ensinará; a teus anciãos, e eles te dirão» (Dt 32,7). Procurar quem já andou o caminho não é fraqueza. É como a coisa funciona.

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