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Thácio Siqueira Agendar

6 de março de 2024 · 3 min de leitura

Entre a Ciência e a Fé: Psicólogos Católicos e a Visão de Pio XII sobre a Psicologia

Entre a Ciência e a Fé: Psicólogos Católicos e a Visão de Pio XII sobre a Psicologia

A discussão sobre fé e psicologia costuma ser feita por quem não pratica nenhuma das duas. Vale então olhar para três pessoas que praticaram.

Rudolf Allers

Allers foi aluno de Alfred Adler e depois rompeu com ele. Médico e filósofo, austríaco, acabou nos Estados Unidos.

A objeção dele não era religiosa, era metodológica: uma psicologia que exclui a dimensão moral e espiritual perde o próprio objeto, porque o ser humano decide, e decidir é um ato que envolve valor. Allers acusava a psicanálise de descrever o homem como se ele fosse resultado, e não autor.

É uma crítica que continua de pé, e que não exige fé nenhuma para ser levada a sério.

Conheça a terapia católica

Agostino Gemelli

Gemelli é um caso curioso: médico, psicólogo experimental, franciscano — e ateu convicto até a conversão, já adulto.

Fundou a Universidade Católica do Sagrado Coração, em Milão, e montou ali um laboratório de psicologia experimental sério, com trabalho em percepção e em psicologia do trabalho. Não fazia apologética disfarçada de ciência: fazia ciência, e era frade.

A vida dele é o argumento: as duas coisas cabem na mesma pessoa sem que nenhuma precise ser diluída.

Pio XII

Pio XII foi o papa que tratou o assunto de frente, e o fez falando diretamente aos profissionais — no discurso ao Congresso Internacional de Psicoterapia e Psicologia Clínica, em 1953, e depois ao Congresso de Psicologia Aplicada, em 1958.

Duas coisas ele fez ali, e as duas importam.

Primeiro, reconheceu a psicologia como ciência legítima, com métodos próprios e resultados válidos — o que, para o clima da época, não era óbvio.

Segundo, marcou os limites, e marcou onde eles de fato estão: no consentimento do paciente, no respeito à consciência e ao segredo, e na recusa de qualquer técnica que trate a pessoa como objeto a ser manipulado — inclusive quando a manipulação é feita para o bem dela.

O pano de fundo é tomista: o homem é unidade de corpo e alma, e uma explicação que o reduza a função biológica descreve menos do que existe.

O que sobra disso para hoje

Nenhum dos três propôs uma «psicologia católica» como escola paralela. O que propuseram foi mais modesto e mais difícil: fazer psicologia bem feita sem amputar do objeto aquilo que ele tem — a liberdade, a responsabilidade, a pergunta pelo sentido.

Quem trabalha com gente sabe que essas três coisas aparecem na sala, quer o método as preveja ou não.

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