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Thácio Siqueira Agendar

8 de março de 2024 · 7 min de leitura

Lista de Psicólogos Católicos e Sua Marca na História da Psicologia

Lista de Psicólogos Católicos e Sua Marca na História da Psicologia

Se você é psicólogo católico e se sente sozinho nessa combinação, esta lista existe para mostrar que a companhia é maior do que parece. Nem todos aqui são católicos praticantes, e alguns entram por terem influenciado essa linha de trabalho — sinalizo caso a caso.

A raiz

Santo Tomás de Aquino (1225–1274). Não é psicólogo, e o tratado das paixões da Suma é o texto que sustenta quase toda a psicologia de inspiração católica que veio depois. Onze paixões, a distinção entre apetite concupiscível e irascível, e a tese de que emoção envolve juízo.

A escola de Lovaina

Désiré Mercier (1851–1926). Cardeal belga, fundou em Lovaina o Instituto Superior de Filosofia e ali criou um dos primeiros laboratórios de psicologia experimental de inspiração tomista. Ele queria neotomismo com laboratório, e não neotomismo de biblioteca.

Albert Michotte (1881–1965). Aluno de Mercier e um dos grandes experimentalistas do século. O trabalho dele sobre a percepção da causalidade — nós vemos uma bola empurrar a outra, não inferimos — continua sendo citado em psicologia da percepção até hoje, por gente que não faz ideia de onde ele vinha.

Os que cruzaram fé e clínica

Agostino Gemelli (1878–1959). Médico, psicólogo experimental e franciscano — e ateu convicto até a conversão, já adulto. Fundou a Universidade Católica do Sagrado Coração, em Milão, com laboratório de verdade.

Thomas Verner Moore (1877–1969). Psicólogo e monge beneditino, americano. Trabalhou em psicologia clínica e neuropsiquiatria, e no fim da vida largou tudo para virar cartuxo.

Rudolf Allers (1883–1963). Aluno de Adler e depois seu crítico. Sustentava que uma psicologia sem a dimensão moral perde o objeto, porque o ser humano decide — e decidir envolve valor.

Os de fronteira

Franz Brentano (1838–1917). Foi padre e deixou o sacerdócio, e é dele o conceito de intencionalidade — todo ato mental é ato sobre alguma coisa. Sem Brentano não há fenomenologia, e sem fenomenologia falta metade da psicologia europeia do século XX.

Erich Wasmann (1859–1931). Jesuíta e entomologista alemão, um dos maiores especialistas em formigas do seu tempo. Interessa aqui pelo que fez com o debate sobre instinto e inteligência animal, e por ter defendido publicamente a compatibilidade entre evolução e fé.

Émile Peillaube (1864–1934). Trabalhou em psicologia da imagem e da educação a partir de bases tomistas, e dirigiu a Revue de Philosophie.

Georges Dwelshauvers (1866–1937). Psicólogo belga, escreveu sobre consciência e vontade — o tipo de tema que a psicologia experimental abandonou por décadas e voltou a procurar depois.

Théodule Ribot (1839–1916). Entra na lista por outro motivo, e é honesto dizer: Ribot era positivista, e fundou a psicologia experimental francesa querendo separá-la da filosofia. Está aqui porque a psicologia das emoções dele foi o interlocutor com quem os autores católicos discutiram, e porque não se entende o que Gemelli ou Michotte estavam respondendo sem conhecer a posição contra a qual respondiam.

Por onde começar

Se for ler um só, leia Allers — é o mais direto para quem atende gente. Se quiser ver que a coisa foi feita com rigor de laboratório, vá a Michotte.

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