12 de fevereiro de 2025 · 5 min de leitura
Meditação de 12 de fevereiro: a crise como chamado

O chamado à conversão: o mundo está doente, mas Deus está vivo
«De noite, minha alma suspira por ti, e meu espírito dentro de mim te procura. Pois, quando se fazem juízos na terra, os habitantes do mundo aprendem a justiça.» (Is 26,9)
Guerra, fome, crise, perseguição. As nações não acham a paz, as famílias se dividem, e dentro da própria Igreja há confusão bastante para muita gente já não distinguir o que é verdade do que é erro.
Diante de tudo isso, o que Deus está dizendo?
«Quando começarem a acontecer estas coisas, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa redenção está próxima.» (Lc 21,28)
Há um engano que paralisa: o medo do futuro. Quem confia em Deus e vive em estado de graça não teme o que vem. O mundo pode tremer; Deus permanece.
1. A crise é um chamado, não um motivo de pânico
«Se não vos converterdes, perecereis todos da mesma maneira.» (Lc 13,5)
Muita gente olha para a crise e se desespera. Mas a crise funciona como megafone: ela devolve à pessoa uma pergunta que ela não estava fazendo.
E a pergunta certa não é «o que será do mundo?». É «o que será da minha alma?». Se o mundo acabasse hoje, como eu estaria diante de Deus?
Os Padres do Deserto não trataram a tentação como intruso. Trataram como companhia permanente:
«Este é o grande trabalho de um homem: assumir diante de Deus a culpa dos próprios pecados, e esperar a tentação até o último suspiro.»
— Apotegmas dos Padres do Deserto, coleção alfabética (Antônio, o Grande, 4). Tradução nossa.
2. Não é tempo de distração — é tempo de vigilância
«Os dias são maus; vigiai, pois, e sede prudentes.» (Ef 5,16)
O maior perigo do nosso tempo não são as guerras nem os governos. É a distração. O inimigo não precisa que você negue Deus: basta que você fique ocupado com coisa nenhuma até acabar o prazo.
O que mais tem tomado a sua atenção? Se Jesus perguntasse hoje «onde está o teu coração?», qual seria a resposta?
«Onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.» (Mt 6,21)
Antão descreve o que via quando olhava para o mundo — e a saída que lhe foi dada:
«Vi as armadilhas que o inimigo estende sobre o mundo, e disse gemendo: “Quem é que atravessa isto?” Então ouvi uma voz que me dizia: “A humildade.”»
— Apotegmas dos Padres do Deserto, coleção alfabética (Antônio, o Grande, 7). Tradução nossa.
3. A conversão é hoje
«Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação!» (2Cor 6,2)
Conversão não acontece porque se sentiu vontade. Exige uma decisão, tomada num dia, diante de Deus.
E há um apotegma que responde exatamente a quem diz «depois eu resolvo isso»:
Perguntaram a Abba Poemen para quem serve a palavra «não vos preocupeis com o amanhã». O ancião disse: «É dita ao homem que está sendo tentado e não tem muita força, para que ele não se aflija dizendo a si mesmo: até quando vou ter de aguentar isto? Ele deve antes dizer a si mesmo, todo dia: hoje.»
— Apotegmas dos Padres do Deserto, coleção alfabética (Poemen, 126). Tradução nossa.
Exame de consciência
- O que ainda me prende e me impede de buscar Deus com sinceridade?
- Tenho alimentado a alma com oração e silêncio, ou só com barulho?
- Se Jesus viesse hoje, como encontraria o meu coração?
Oração final
Senhor, vejo os sinais dos tempos e percebo que preciso de Ti mais do que nunca. O meu coração anda inquieto, cercado de distrações. Desperta a minha alma. Dá-me olhos atentos e coragem para escolher a conversão de verdade, sem medo do que vou deixar para trás. A crise não vai me assustar, porque Tu és a minha rocha. Conduze-me ao deserto da Quaresma com o coração pronto. Amém.