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Thácio Siqueira Agendar

11 de março de 2024 · 1 min de leitura

A pergunta que o terapeuta não alcança

A pergunta que o terapeuta não alcança

Um bom terapeuta faz muita coisa. Ajuda a enxergar o que se repete, tira o peso de carregar sozinho, devolve o funcionamento de uma vida que travou. É trabalho sério e eu não trabalharia contra ele.

Mas há uma pergunta que ele não alcança, e não por falta de competência: é que ela não é do tamanho da profissão. Para que você existe. Nenhuma técnica responde isso, porque nenhuma técnica tem autoridade para responder.

Jesus não faz a oferta que se espera. Ele não promete a retirada da cruz; promete companhia dentro dela. «Quem quiser vir após mim, tome a sua cruz e siga-me.» A cruz aqui não é figura de linguagem: é o transtorno que você tem, a família que é a que é, a coisa que não vai mudar por mais que se trabalhe.

E logo em seguida vem a frase que quase ninguém leva a sério: «o meu jugo é suave e o meu peso é leve». Não diz que não há peso. Diz que aquele peso não esgota quem o carrega. É a diferença entre cansaço e desgaste, e quem já viveu os dois sabe qual é qual.

Um guia espiritual ajuda a andar isso, e ajuda bastante — mas ele não é a fonte. Ele é quem já andou o trecho e sabe onde a pedra solta.

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