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Thácio Siqueira Agendar

18 de novembro de 2024 · 4 min de leitura

O Efeito Holofote e a Vida Espiritual: Como Nos Vemos e Como Deus Nos Vê

O Efeito Holofote e a Vida Espiritual: Como Nos Vemos e Como Deus Nos Vê

Há um achado da psicologia com nome bom: efeito holofote. É a tendência de superestimar o quanto os outros reparam em nós. A gente tropeça na rua e passa o dia com a cena na cabeça; quem viu esqueceu antes de virar a esquina.

Isso produz o cotidiano que se conhece — vergonha de dizer o que se pensa, medo de julgamentos que só existem na própria cabeça, ansiedade com a aparência. Mas há uma versão espiritual disso, e ela é mais difícil de enxergar porque se disfarça de escrúpulo.

O holofote na vida espiritual

Aparece assim: fazer caridade e reparar em quem está vendo. Deixar de falar da fé por medo do julgamento social. E o mais comum de todos, que é ser duríssimo consigo mesmo achando que Deus está prestando atenção exclusivamente nos seus defeitos.

Repare no que essas três coisas têm em comum. Todas põem o eu no centro — inclusive a terceira, que parece humildade e é a mesma preocupação de sempre com a própria imagem, só que virada para dentro.

Thácio Siqueira, terapeuta católico

Como Deus olha

«O homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração» (1Sm 16,7). A frase costuma ser lida como ameaça — Ele vê tudo, inclusive o que você esconde. Ela também funciona ao contrário: Ele vê o que você fez com boa intenção e ninguém percebeu, e vê a intenção por trás da coisa que saiu errada.

Jesus é explícito sobre o público certo: «guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens, para serdes vistos por eles» (Mt 6,1). E logo depois manda rezar de porta fechada. Não é desprezo pelo culto público; é o cuidado com o motivo.

O que fazer com isso

Confessar-se. É o remédio mais direto contra o perfeccionismo religioso, e por uma razão prática: na confissão a coisa é dita a alguém, absolvida, e encerrada. O escrúpulo vive de reabrir o processo.

Fazer alguma coisa boa que ninguém saiba. Uma por semana já muda o hábito interno. É o exercício que Jesus recomenda, e ele funciona como treino, não como mérito.

Não confundir luz com holofote. Um holofote expõe para julgar. A luz de que o Evangelho fala ilumina para curar — e quem já se confessou de verdade sabe a diferença, porque sai mais leve, e não mais exposto.

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