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Thácio Siqueira Agendar

11 de abril de 2024 · 2 min de leitura

Podemos comprar a nossa felicidade?

Podemos comprar a nossa felicidade?

Cada clique é contado. Aprendemos cedo a capturar atenção, e no mundo adulto quase toda interação carrega uma proposta comercial em algum lugar — com prazo, com escassez, com «só hoje».

O efeito disso sobre quem compra é conhecido. O efeito sobre quem vende é menos falado, e é pior: a pessoa começa a olhar para o outro como transação. Isso acontece até com gente de boa intenção, que quer ajudar de verdade, e cujo juízo vai sendo dobrado pela necessidade de fazer o dinheiro girar.

São João Cassiano tem uma frase sobre isso que atravessa bem os séculos: todas as vezes que tiramos o coração das preocupações do mundo, somos capazes de subir. E Lucas registra a frase de Jesus que fecha o assunto: o Reino de Deus está dentro de vós (Lc 17,21).

Agostinho escreveu a experiência inteira nas Confissões. Ele tinha o que se compra — reconhecimento, carreira, prazer disponível — e continuou inquieto até encontrar o que não estava à venda. É o teste mais honesto que existe: quem já teve a coisa e continuou com fome sabe uma coisa que quem nunca teve só imagina.

Francisco de Assis fez o caminho pelo outro lado, e chegou ao mesmo lugar. A liberdade dele não vinha de independência financeira — vinha de dependência assumida, alegre, de Deus. Ninguém consegue vender nada a um homem assim.

Uma direção espiritual serve, entre outras coisas, para isso: um lugar por semana onde ninguém está te vendendo coisa nenhuma, e onde dá para pensar sem pressa.

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