27 de abril de 2024 · 3 min de leitura
Se queres entender os comentadores tomistas, leia Tomás

Tomás de Aquino deixou obra, e deixou um método: pôr fé e razão para trabalhar juntas sem que uma humilhe a outra. Foi o método, mais do que as conclusões, que atravessou os séculos e produziu uma tradição de comentadores.
Os nomes que aparecem sempre são Caetano (Tomás de Vio), Silvestre de Ferrara, João de Santo Tomás, Garrigou-Lagrange, Cornelio Fabro, Jacques Maritain. Cada um leu Tomás a partir do problema do seu tempo, e por isso cada um viu uma coisa.
Silvestre de Ferrara deixou a recomendação que dá título a este texto:
«Se queres entender Caetano, lê Tomás de Aquino.»
É um conselho de método, e vale mais hoje do que valia então. Quem começa pelo comentador aprende a leitura de alguém antes de ter o texto na cabeça, e depois não consegue mais separar uma coisa da outra. Fica repetindo interpretação sem saber que é interpretação.
O Concílio Vaticano II, no decreto Optatam totius, indicou Tomás como referência para a formação filosófica e teológica dos seminaristas. O que se pede ali não é decorar teses: é aprender aquele modo de trabalhar — expor a objeção mais forte antes de responder, distinguir antes de concluir.
E aqui vai a parte que interessa a quem não é acadêmico. Erudição não é sabedoria. Numa discussão, é comum aparecer alguém citando autores que você não conhece, livro atrás de livro, como se conquistar a verdade fosse conquistar uma bibliografia. Muita gente séria se intimida com isso e cala. Não se intimide: citar não é ter entendido, e boa parte de quem cita muito não digeriu o que leu nem sabe onde aquilo se encaixa.
Vale lembrar de quem Deus escolheu para as coisas grandes. Jesus e Maria apareceram, na maior parte das vezes, a gente humilde e sem instrução. Não é elogio da ignorância. É o lembrete de que o conhecimento serve, e não salva.