15 de dezembro de 2023 · 2 min de leitura
A synderesis, e o que a terapia tomista chama de olhar para dentro

A terapia tomista tem uma palavra no centro, e é uma palavra estranha: synderesis. Tomás a usa para nomear o hábito pelo qual a pessoa reconhece o bem sem precisar demonstrá-lo — o que faz alguém saber, antes de qualquer argumento, que trair um amigo é ruim. Não é sentimento e não é opinião. É a primeira luz da consciência, e ela não se apaga: cansa, fica abafada, mas continua lá.
Isso muda o lugar onde se procura a saída. Boa parte do que se oferece hoje trabalha por fora: mudar o ambiente, mudar o hábito, mudar a maneira de contar a própria história. São coisas úteis, e às vezes bastam. Mas quando alguém chega dizendo que nada faz sentido, ambiente não é o que está faltando.
Agostinho escreveu que passou anos procurando fora o que estava dentro dele. Olhar para dentro, no sentido em que Tomás usa, quer dizer procurar o que a consciência já sabe e a pessoa deixou de escutar. Vasculhar a própria emoção e ficar por ali é outra coisa, e para em si mesma.
Nos momentos de crise, quando tudo parece perdido, isso costuma ser o único ponto firme que sobra. A pessoa não está segura de mais nada, e continua sabendo distinguir o que é decente do que não é. Começa-se por aí, e a pergunta seguinte é de onde vem essa luz — porque ela não se explica só por quem a tem.