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Thácio Siqueira Agendar

Músicas e Reflexões · Histórias de fé

Amor de Treze Invernos

Eles se conheceram no grupo da Crisma, dois olhares tímidos, mesma paróquia, mesma missa. Ela tinha treze, ele quase quinze, achavam que o amor era simples.

Começaram trocando bilhetes na catequese, prometeram se guardar até que o céu dissesse. Falavam de casar, de filhos e vocação, mas ainda nem sabiam o que era o coração.

O tempo passava, os corpos mudavam, os sentimentos cresciam, os medos também chegavam. Queriam ser santos, mas queriam se tocar, e a confusão entre amor e desejo começou a pesar.

E o mundo ria dizendo “é só fase”, mas no peito deles tudo era verdade. Só que ninguém ensinou com calma, que amar também é formar a alma.

Amor de treze invernos, bonito, mas cedo demais, sonhos grandes, chão pequeno, tropeços normais. Queriam o céu, mas ainda aprendiam a andar, e o tempo, com dor, ensinou a esperar. Não é falta de amor, é falta de tempo, pra crescer, cair e entender o sentimento. Deus não apaga o que é sincero, mas ensina o que é mais belo.

Vieram os ciúmes, o celular e o “tá online?”, as brigas por nada, o medo de perder o “pra sempre”. Deixaram de ver os amigos, as missas, os sonhos, vivendo um ao outro como dois mundos medonhos.

E ela chorava dizendo: “Ninguém entende o que é amar”, mas já sentia o peso de se anular. Ele pensava: “Se eu casar com ela, tudo vai sarar.” Mas mal sabia o quanto ainda tinha pra mudar.

O padre tentou conversar devagar: “Vocês são bons, mas precisam esperar. O amor é semente, precisa do tempo certo, senão nasce torto e não cria alicerce.”

Amor de treze invernos, bonito, mas cedo demais, sonhos grandes, chão pequeno, tropeços normais. Queriam o céu, mas ainda aprendiam a andar, e o tempo, com dor, ensinou a esperar. Não é falta de amor, é falta de tempo, pra crescer, cair e entender o sentimento. Deus não apaga o que é sincero, mas ensina o que é mais belo.

Anos depois, cada um seguiu um caminho, e o silêncio virou testemunho. Ela estudou, cresceu, voltou a sorrir, ele entrou no seminário pra descobrir.

Não deu certo o que imaginaram aos catorze, mas deu certo o que Deus quis construir. E hoje, quando falam de amor, não falam de posse — falam de servir.

Amor de treze invernos, puro e sincero, mas precisou do tempo eterno. O que começou como fogo e emoção, virou aprendizado e oração. Nem todo “pra sempre” é pra durar, mas todo amor verdadeiro faz alguém amar. E no fim, foi Deus quem os fez crescer, pra um dia amar sem se perder.

E quando alguém pergunta: “Mas foi em vão?”, ela sorri e diz com o coração: “Não… foi só Deus me ensinando a esperar o tempo do amor certo chegar.”