17 de fevereiro de 2025 · 6 min de leitura
A tibieza não causa escândalo — por isso não recebe tratamento

«Conheço as tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te da minha boca.» (Ap 3,15-16)
A tibieza não causa escândalo. Não choca ninguém, não destrói reputação nenhuma, e é por isso que não recebe tratamento.
Ela avança devagar. Um dia a oração já não faz diferença. Depois a confissão vira coisa de vez em quando. Depois a missa não toca mais. E em algum ponto Deus virou um conceito que a pessoa ainda defende em discussão, e com quem já não fala.
O morno não rejeita Cristo. Ele acredita sem entusiasmo, reza sem fogo, vai à igreja sem conversão. E o problema é que isso passa por normalidade.
Deus recusa a tibieza porque ela contradiz o primeiro mandamento: «amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento e de todas as forças» (Mc 12,30). Amar pela metade não é uma forma menor de amar. É outra coisa.
1. Como a tibieza entra
«O amor de muitos esfriará.» (Mt 24,12)
Pelo pecado aceito. O que antes incomodava passa a ser tolerado, depois justificado, depois nem lembrado. Santo Agostinho avisa que pecados leves, quando desprezados, ficam graves.
Pela oração que virou hábito vazio. Continua-se rezando, sem desejo nenhum de encontrar alguém do outro lado.
Pelo fim do esforço. Parou-se de crescer, e como não há queda visível, ninguém percebe que houve recuo.
Amma Sinclética dá o nome antigo disso e diz como se trata:
«Há uma tristeza que é útil e há uma tristeza que destrói. A primeira consiste em chorar as próprias faltas e a fraqueza do próximo, para não perder o propósito e se unir ao bem perfeito. Mas há também uma tristeza que vem do inimigo, cheia de zombaria, a que alguns chamam acédia. Esse espírito se expulsa sobretudo com a oração e a salmodia.»
— Apotegmas dos Padres do Deserto, coleção alfabética (Sinclética, 27). Tradução nossa.
Repare no remédio: não é sentimento, não é motivação. É rezar e cantar os salmos — coisa que se faz com o corpo, na hora em que menos se quer.
2. Como se sai
Voltar à confissão. Não a que se faz quando há o quê contar: a que se faz para reabrir a porta.
Rezar com fome, e não por costume. «Buscai o Senhor enquanto se pode achar» (Is 55,6).
Retomar alguma penitência pequena. A tibieza vive de conforto, e a única coisa que a incomoda é renúncia concreta. «Se alguém quiser vir após mim, tome a sua cruz e siga-me» (Lc 9,23).
Lembrar do primeiro amor. «Lembra-te de onde caíste e arrepende-te» (Ap 2,5). O que você fazia naquela época e deixou de fazer? Faça isso hoje, mesmo sem vontade.
E para quem já tentou voltar e caiu de novo:
«O que faço, abba, porque caí?» — «Levanta-te.» — «Levantei-me, e caí de novo.» — «Levanta-te outra vez, e outra.» — «Até quando?» — «Até seres levado, ou na virtude ou no pecado. Porque o homem se apresenta ao juízo no estado em que for encontrado.»
— Apotegmas dos Padres do Deserto, coleção alfabética (Sisoés, 38). Tradução nossa.
Oração final
Senhor, o meu coração ficou morno. Perdi o fervor, perdi a sede, e me acostumei com uma fé sem fogo. Hoje eu vejo que não quero mais isso. Reacende em mim o amor que eu tive um dia. Ensina-me a te buscar como nos primeiros dias. Amém.