9 de maio de 2025 · 4 min de leitura
Por que o mundo odeia a Igreja, mas não consegue ignorá-la?

Por Thácio Siqueira — terapeuta católico
A eleição de um papa mobiliza o planeta. Câmeras, especialistas, colunas, e a Praça de São Pedro virando o centro do mundo por semanas.
Há uma incoerência aí que ninguém comenta. Por que um mundo que rejeita Cristo, a moral cristã e a Igreja se importa tanto com quem vai ser eleito? Por que não ignora?
Porque não consegue. E não consegue porque a teme.
1. Um ódio antigo
«Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou antes que a vós.» (Jo 15,18)
Os mártires dos primeiros séculos não morreram por serem politicamente perigosos — Roma tolerava dezenas de cultos. Morreram por recusarem uma única coisa: pôr o imperador acima de Deus. Era isso que não se negociava, e é isso que continua sem negociação.
O incômodo não vem da fraqueza da Igreja. Vem de ela ter sobrevivido a tudo o que deveria tê-la liquidado: impérios, heresias, revoluções, cismas, escândalos internos, perseguições externas.
2. Se não dá para destruir, controla-se
O Iluminismo tentou pela razão. O comunismo, pela força. A revolução sexual, pelo desgaste da moral. Nenhum funcionou inteiramente, e daí veio a tática seguinte, que é bem mais eficaz: a instrumentalização.
Quer-se um papa que fale de ecologia e não de pecado; que abrace os pobres e cale sobre o aborto; que fale de misericórdia e nunca de juízo. Uma Igreja que seja ONG.
É por isso que aparecem tantos analistas explicando o que o papa deveria fazer. Nenhum deles vai à missa. O interesse não é religioso — é de pauta.
3. O que ela guarda e ninguém mais tem
O mundo secular diz que religião é irrelevante e não consegue tirar os olhos dela. A razão é simples: a Igreja é o último lugar onde ainda se encontra um eco do sagrado que a cultura destruiu em si mesma.
E ela é a memória de que existe uma verdade que não muda. Para uma cultura que só acredita em movimento, permanência é escândalo — e é fascínio, o que é ainda pior.
4. A imprensa durante um conclave
Repare no comportamento: campanhas, nomes preferidos, previsões que funcionam como pressão. Não é cobertura, é tentativa de influenciar um processo de que ninguém ali participa.
O que se quer é um papa à imagem do mundo — que use as vestes de Cristo e fale a linguagem da época. E quando um papa contraria isso, a fúria é imediata: bastou Bento XVI reafirmar doutrina para virar caricatura. Com Francisco a técnica foi outra, a de distorcer o que ele efetivamente dizia, ora para elogiar, ora para atacar.
Querem a Igreja como vitrine, e não como juíza. Como companhia, e não como mãe.
5. O paradoxo revela a origem
Uma instituição meramente humana com dois mil anos de escândalos já teria sido esquecida, e não odiada. Odeia-se o que ainda pesa.
É por isso que eu leio essa hostilidade sem angústia. Ela é, ao seu modo, um testemunho — dado pelo lado de fora, e portanto insuspeito.